Está na pauta da Comissão de Educação, Cultura e Esporte projeto de lei que iguala premiação para homens e mulheres para eventos promovidos com verba pública ou por entidades que recebam dinheiro público, como as confederações de esportes olímpicos e paraolímpicos.
Em meados de 2016, ganhou destaque na imprensa internacional a disparidade do tratamento dado pela FIVB (Federação Internacional de Vôlei) para a premiação distribuída aos melhores das duas principais competições internacionais organizadas pela entidade. Enquanto as mulheres que triunfaram no Grand Prix dividiram premiação de US$ 200 mil (R$ 618 mil na cotação atual), os homens que venceram na Liga Mundial repartiram US$ 1 milhão (R$ 3,1 milhões hoje).
Ante à polêmica, a FIVB, que é presidida pelo brasileiro Ary Graça, aumentou o prêmio do feminino para US$600 mil (R$ 1,8 milhão) nesta temporada.
No Brasil, diversos campeonatos esportivos são realizados com verba pública, especialmente por meio da lei de incentivo ao esporte. E estes recursos, com frequência, são utilizados para pagar a premiação dos vencedores. Se o projeto passar no Congresso, homens e mulheres dividirão a mesma quantia. Isso vale para eventos esportivos promovidos também com recurso da lei Piva (que retira um percentual da premiação das loterias e destina ao esporte olímpico e paraolímpico) e convênios com poderes públicos (federal, estadual e municipal).
“Por que essa diferença? O esforço é o mesmo, a dedicação é a mesma, porque o prêmio tem que ser diferente? É porque ainda há a esse traço cultural que diferencia o valor das mulheres, que a gente também vê no mercado de trabalho”, afirmou a senadora Rose de Freitas (PMDB-ES).
O que a senadora não mencionou é que no caso específico do Grand Prix ou Liga Mundial, dificilmente a lei fará efeito. Porque é promovido pela FIVB, que, até onde se sabe, não tem o governo brasileiro como uma de suas fontes de patrocínios.
]]>Reprodução do vídeo em que Murilo e Jaqueline criticam o governo
A FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) escalou dois atletas olímpicos para atacar o ajuste fiscal anunciado pelo governo em setembro. O casal Murilo Endres e Jaqueline Carvalho gravaram um vídeo em que criticam a proposta de “aumento dos impostos” para cobrir o déficit previsto para o orçamento da União de 2016.
“Se a gente não protestar, o governo vai aumentar os impostos ainda mais”, começa dizendo Murilo na gravação. Eles pedem o engajamento do público para assinar um manifesto que a FIESP pretende entregar no Congresso Nacional com 1 milhão de assinaturas.
Murilo e Jaqueline são atletas do Sesi, equipe de vôlei mantida pela FIESP. Ele talvez seja o mais combativo e politizado desportista da modalidade no país. Quando a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) se viu envolta em uma grave crise por causa de mal feitos atribuídos – e comprovados pela CGU – durante a gestão de Ary Graça, Murilo foi o primeiro atleta a se levantar e protestar contra o dirigente. E contou com o apoio de toda a classe.
E agora, a instituição que representa pode ser diretamente afetada pelas medidas do pacote do governo. A União apresentou proposta para reter 30% do que é arrecadado pelo Sistema S (Sesc, Senai, Sebrae e Senac) para cobrir o rombo no orçamento. Este percentual corresponde a aproximadamente R$ 6 bilhões a menos para o Sistema S no próximo ano. O que afetaria diretamente, entre outras coisas, as atividades esportivas do Sesi, pelos quais jogam Murilo e Jaqueline.
O Sesi investe em alto rendimento na equipe de polo aquático, e em atletas da maratona aquática, atletismo paraolímpico e luta olímpica. Não há nada definido ainda sobre cortes no apoio ao esporte.
O departamento de comunicação da FIESP informou que os atletas não foram obrigados a participar da campanha, apenas convidados. Por enquanto, só atletas do vôlei se engajaram publicamente.
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