Blog do Daniel Brito

Arquivo : Rio-2016

Espanhol técnico de Isaquías Queiroz perde autorização de trabalho no país
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Daniel Brito

O espanhol Jesús Morlán, técnico responsável pela equipe brasileira de canoagem de velocidade, está sem autorização para trabalhar no Brasil. A concessão, que é solicitada anualmente,  lhe foi negada pela coordenadoria geral de imigração do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em Brasília.

O MTE não informou o motivo pelo qual a autorização foi indeferida, podendo ter ocorrido por falta de algum documento ou até problemas no visto. A autorização para trabalhar é diferente do visto de residência no país, o que segundo o COB,  Morlan tem,  portanto não está ilegal no Brasil.

Morlan foi o treinador responsável pelo maior número de medalhas conquistadas pelos atletas nacionais nos Jogos Olímpicos do Rio-2016. Seu pupilo, Isaquias Queiróz, faturou duas pratas e um bronze na Lagoa Rodrigo de Freitas em agosto último. Ninguém levou a bandeira brasileira ao pódio tantas vezes na última edição dos Jogos.

O espanhol é tido como um dos mais talentosos treinadores estrangeiros importados pelo Brasil para preparar a equipe olímpica para a Rio-2016.

Trabalho de Morlan no Brasil rendeu três pódios ao país na Rio-16 (Zanone fraissat/Folhapress)

Recentemente, Morlan foi submetido a uma cirurgia no cérebro, após ter sido diagnosticado com um tumor na região. Recupera-se gradativamente, e mantinha-se acompanhando os canoístas brasileiros nos treinamentos em Lagoa Santa, Minas Gerais, com auxílio de treinadores nacionais.

Ele renovou, logo após a Rio-16, seu vínculo com a canoagem brasileira até Tóquio-2020, com recursos do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), da lei Piva, mas o valor não foi revelado pelo comitê.

“O COB já recorreu da decisão [do Ministério]. Enquanto pendente a análise do recurso, o estrangeiro não está irregular no Brasil. O COB e a Confederação Brasileira de Canoagem cumprirão todas as obrigações legais para contar com o treinador Jesus Morlán em seu quadro de colaboradores. Jesus Morlan vem desempenhando sua função com extrema qualidade há mais de quatro anos no Brasil e vem prestando um serviço inestimável para o desenvolvimento do esporte brasileiro”,  informou o COB, por meio de sua assessoria de imprensa.


O que aconteceu aos boxeadores acusados de assédio sexual na Rio-2016?
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Daniel Brito

Jonas Junias foi porta-bandeira da Namíbia na abertura da Rio-2016

Jonas Junias estava entre as milhares de pessoas na praia de Copacabana na virada do ano. Postou fotos sorridentes em seus perfis nas redes sociais. Ele chegou da Namíbia ainda em agosto, para disputar os Jogos Olímpicos do Rio-2016, e se meteu em uma grande encrenca. Agora aguarda para ser julgado no Brasil.

Ele é um dos dois boxeadores acusados de tentativa de estupro a camareiras que trabalhavam na vila dos atletas nos Jogos Olímpicos. Além de Junias, o outro suspeito é o marroquino Hassan Saada. Em momentos diferentes, eles teriam assediado as funcionárias em serviço, quando estas entraram em seus apartamentos para fazer a arrumação.

Até hoje, aguardam julgamento.

A imprensa da Namíbia acompanha de perto o caso e ele é frequentemente citado em tweets. Ele foi o porta-bandeira namíbio na abertura. Em seu depoimento à polícia, a camareira disse que Junias a abraçou por trás e a beijou. Ele foi detido no mesmo dia, 8 de agosto, e chegou a ser preso no complexo penitenciário de Bangu, na Zona Oeste do Rio.

Junias passou o final de ano no Rio de Janeiro, à espera de julgamento

Foi solto na manhã em que competiria- e perdeu logo na primeira luta. Ficou no Brasil mais alguns meses após o fim dos Jogos Olímpicos, retornou à Namíbia e depois voltou ao Brasil em dezembro para seu julgamento. Foi aí que conseguiu aproveitar a tradicional queima de fogos em Copacabana. Ele pode ser condenado a dois anos de prisão.

Já o marroquino Hassan Saada foi detido em 5 de agosto, dia da abertura da Rio-2016. Ele é acusado de, três dias antes, ter chamado duas camareiras ao seu quarto pedindo uma informação. Quando elas o encontraram, ele as teria atacado: apertando as pernas de uma e os seios da outra. O relato foi feito pela polícia à imprensa na época do incidente.

Saada (à dir.) no dia que chegou à vila dos atletas da Rio-2016

Saada também foi preso, não conseguiu lutar (perdeu por W.O.) e permanece no Brasil desde então. Nas suas redes sociais, tenta engajar os amigos com campanhas em seu favor. “Eu nunca encostei  nelas”, disse à imprensa marroquina Saada. Seu julgamento foi adiado quatro vezes. Se for enquadrado no crime de tentativa de estupro, pode ser condenado até a 12 anos de detenção.

Hassan Saada posta fotos de camisetas com seu nome nas redes sociais

 

Tags : Rio-2016


Ela sofreu uma queda feia na Rio-16, agora usa o acidente como motivação
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Daniel Brito

GEELONG, AUSTRALIA - JANUARY 28:  Annemiek Van Vleuten of Orica Scott and the Netherlands crosses the line to win the Elite Women's race during the 2017 Cadel Evans Great Ocean Road Race on January 28, 2017 in Geelong, Australia.  (Photo by Robert Cianflone/Getty Images for 2016 Cadel Evans Great Ocean Road)

Van Vleuten liderava a Rio-16 faltando 12km para o fim, quando sofreu um acidente feio (Robert Cianflone/Getty)

A holandesa Annemiek van Vleuten , 34, entrou para a história dos Jogos Olímpicos do Rio-2016 após uma grave queda durante a prova de ciclismo de estrada, logo no segundo dia de competições, em agosto passado.

Ela liderava a prova, restavam 12 quilômetros para a linha de chegada. Por algum motivo estranho, ela perdeu a tangência em uma curva, que nem era tão acentuada, e escapou da pista. A holandesa caiu de cabeça em uma vala de cimento à margem da estrada, e permaneceu imóvel no local da queda.

As cenas são chocantes e foram transmitidas para o mundo inteiro. Van Vleuten sofreu uma concussão e três fraturas menores na espinha lombar. Teve de ser internada em uma UTI, mas manteve-se consciente e não passou pelo risco de sofrer sequelas.

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Reprodução da transmissão oficial de TV do momento da queda

Deu sorte.

Neste mesmo percurso, mas em outro ponto, 45 dias mais tarde, no último dia de competições dos Jogos Paraolímpicos do Rio-2016, o ciclista iraniano Bahman Golbarnezhad bateu a cabeça numa pedra na descida de Grumari, um dos locais mais rápidos do circuito montado pelos organizadores. Ele era ex-combatente da guerra entre Irã e Iraque, amputado de uma perna, não sobreviveu à queda e morreu no Rio de Janeiro.

Exatamente um mês depois do acidente, a holandesa Van Vleuten já estava competindo. “Eu não me lembro exatamente da queda, só me lembro da descida e de pensar em não assumir muitos riscos para manter a liderança e conquistar o ouro olímpico”, relembrou Van Vleuten à revista australiana The Advertiser.

“Não quero exatamente que a memória daquele dia desapareça. Porque eu fazia até ali a melhor prova da minha vida, não posso nunca me esquecer disso -a não ser pelo final da prova [a queda]”, afirmou à imprensa australiana antes de uma prova no final de semana passado.

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Reprodução da transmissão da TV momentos antes de Van Vleuten ser socorrida: atendimento chegou rápido ao local

Van Vleuten (se pronuncia : Van Vluiten) é a 12ª colocada no ranking mundial da UCI (União Ciclística Internacional), carrega no currículo um título da Volta da Bélgica e um Campeonato Mundial, ambos em 2011. No Rio-2016, ela considera que estava na melhor forma, e pronta para o ouro.

“Para ser sincera, passei uma semana pensando em como pude perder o ouro olímpico, mas depois parei. Não ajudaria muito ficar remoendo isso”, afirmou.

Uma semana após deixar o Rio, Van Vleuten exilou-se voluntariamente nas montanhas da Itália para pensar na vida e matar o tempo até que pudesse voltar a pedalar. “Houve um período em que eu estava sem poder pedalar, nem falar ao telefone eu podia, por causa das lesões na cabeça. Minha mãe cuidou de mim”, relatou.

Em setembro de 2016, a holandesa já estava treinando normalmente. Em seguida, retornou o ritmo de competição. Mesmo sem considerar estar na melhor forma, foi campeã de uma prova com o top 100 do mundo próximo a Melbourne, com um sprint incrível na reta de chegada. Após a vitória, revelou surpresa pelo resultado. E voltou a falar de sua passagem pelo Rio-2016:

“Se quiserem falar comigo sobre a corrida inteira, tudo bem. Espero que falem sobre isso, não apenas do acidente. Foi uma grande prova de ciclismo entre mulheres, foi lindo de assistir. Para mim, teve um final triste, mas foi bom poder mostrar ao público que minha performance  me inspirou para seguir nesta temporada atual”.

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Van Vleuten postou esta selfie em seu Twitter antes de deixa ro Rio, em agosto-16


Congresso volta aos trabalhos com projetos para “domar” torcedores violentos
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Daniel Brito

O ano de 2017 começa só agora, nesta primeira semana de fevereiro, para senadores e deputados federais no Congresso Nacional, com a eleição da mesa diretora das duas casas. Além de uma grave e crônica crise política, os parlamentares têm na pauta deste ano projetos sobre futebol apresentados no ano passado (ou retrasado) que não conseguiram uma brecha na agenda parlamentar.

Muitos dos quais dizem respeito à violência nos estádios. Alguns são pertinentes, outros, burocráticos ou até mesmo estapafúrdios. Em quase todos, a CBF passa ao largo das cobranças por mudanças.

Entre os mais estrambólicos está a proposta que exige relatório de viagem aos motoristas de ônibus que transportarem exclusivamente torcedores. Já foi aprovada na comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, tramita, de forma conclusiva, ainda por mais três comissões na Câmara. A proposta é do deputado federal Rômulo Gouveia (PSD-PB).

Outro parlamentar paraibano, Wilson Filho (PTB-PB) quer alterar o estatuto do torcedor ao propor que o torcedor que promover tumulto ou praticar violência em estádios só terá direito à liberdade provisória após pagar fiança equivalente a 1% da renda bruta do jogo. É chover no molhado, porque o estatuto já prevê esse tipo de sanção para quem comete tais crimes, só não há um valor estipulado. Ademais, identificar todos os torcedores em caso de confronto generalizado nas dependências do estádio é pouco comum. A lei determina ainda que o acusado pode pegar pena de reclusão de um a dois anos.

Casa de ferreiro. Espeto de pau
O projeto do deputado Andre Moura (PSC-SE) determina punições para atos praticados por torcidas organizadas mesmo quando não houver partidas em disputa e aumenta de três para cinco anos o tempo de afastamento do condenado por atos violentos relacionados a eventos esportivos.

Esta proposta, aprovada na Câmara, já está no Senado. O curioso é que este mesmo Senado recebeu em uma audiência pública com juristas, em novembro, André Azevedo, presidente da torcida Dragões da Real e réu por invadir o CT do São Paulo em agosto, para protestar contra a má fase do clube no Brasileiro-2016. Em outubro, o blog Bastidores F.C., do globoesporte.com, informou que ele foi um dos 12 torcedores denunciados pelo Ministério Público pela invasão, todos proibidos de frequentarem partidas do clube, Azevedo precisou pedir autorização à Justiça para poder viajar a Brasília.

Sem detector não tem evento
Em novembro passado, a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado aprovou projeto que obriga a instalação de detectores de metais nas portarias de todos os estádios, ginásios e construções onde são realizadas competições esportivas no País. Os que não se enquadrarem em um prazo de 360 dias, terão a concessão revogada ou não concedida.

O projeto é de Dâmina Pereira (PMN-MG), e data de 2015, quando ainda estavam em obras as arenas utilizadas nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do Rio-2016. Por padrões internacionais de segurança, todos os locais de competição da Rio-16 contavam com detectores de metal na entrada.

Quem quer falar de futebol com Brasília em chamas?
Quase todos os projetos ainda têm um caminho relativamente longo até concluir os trâmites no Congresso e ser sancionado. Basta tomar como exemplo a proposta do deputado Ivan Valente (PSOL-SP), segundo a qual está garantido o livre exercício de manifestação e a liberdade de expressão aos torcedores nos locais onde são realizados os eventos desportivos.

Entrou na pauta ainda durante os Jogos Olímpicos-2016, quando diversos torcedores nas arenas foram impedidos de se manifestar, especialmente de forma política, com mensagens como “Fora, Temer”. O projeto foi aprovado sem alterações na Comissão de Esportes e aguarda análise na Constituição e Justiça e de Cidadania. Ou seja, para resolver um problema agudo ainda em agosto, a Câmara demorou quase seis meses.

Imagine quanto tempo levará até que todas essas propostas sejam postas em pauta, ainda mais em um cenário político de completo caos em que se encontra a Brasília de 2017?


Como Eike foi peça fundamental para o Rio receber os Jogos Olímpicos-2016
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Daniel Brito

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Eike e Cabral riem em evento de 2009, muito antes da Lava Jato (AP /Ricardo Moraes)

Impossível não associar Eike Batista aos Jogos Olímpicos do Rio-2016. Ele teve atuação direta na campanha vitoriosa para sediar o evento, ainda em 2009, e deixou muitas promessas não cumpridas para a cidade. Ele é procurado até pela Interpol por ser alvo de um mandado de prisão preventiva expedidos pela 7ª Vara da Justiça Criminal do Rio pela operação Eficiência, segunda fase da operação Calicute – braço da operação Lava Jato no Rio de Janeiro.

Nos meses que antecederam a eleição da sede dos Jogos-2016, ainda em outubro de 2009, Eike contribuiu com uma doação de R$ 23 milhões para a campanha brasileira. Isto representa cerca de 16% do valor da candidatura, estimada em R$ 138 milhões (em valores de 2009). Ainda emprestou seu jatinho para o então governador Sérgio Cabral, atualmente detido em Bangu, também alvo da operação Calicute, para se deslocar até a capital dinamarquesa.

Uma de suas empresas, a MGX adquiriu a concessão da Marina da Glória em setembro de 2009. À época, o custo da compra também não foi revelado, porém, entre aquisição e investimentos, Eike desembolsaria R$ 150 milhões. Ele pretendia revitalizar, abrir restaurantes, lojas e casa de shows. Segundo informou a Folha de S.Paulo, em 2014.

O local era ponto das embarcações que disputaram as provas de vela nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos-2016. Eram necessárias adequações para atender às exigências da competição. Em 2013, com seu império já em começando a desmoronar, Eike repassou a administração da Marina à BR Marinas, em negócio aprovado pelo CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica)..

Pertinho dali, havia o Hotel Glória, o mítico prédio que o empresário adquiriu com a promessa de restaurar e reabrir para receber turistas na Copa do Mundo Fifa-2014 e Jogos Olímpicos e Paraolímpicos-2016. Seu projeto foi um fiasco. O Hotel Glória foi adquirido em 2008 pela REX, braço imobiliário do grupo de Eike, por R$ 80 milhões. A Folha de S.Paulo noticiou em fevereiro de 2014 que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) liberou R$ 50 milhões em financiamento. Paredes foram quebradas e a obra até começou, mas não terminou.

Em 2014, Eike vendeu por R$ 200 milhões o hotel a um grupo suíço.

A coleção de insucessos de Eike conta ainda com uma aventura no vôlei. Ele montou um time e contratou algumas estrelas da seleção brasileira, como o levantador Bruninho. Porém, atrasou os salários e Bruninho deixou a agremiação antes do fim da Superliga 2013-2014.

Eike também contratou atores para emplacar um macaco como mascote dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio-2016. Camila Pitanga, Marcos Pasquim, até Chico Buarque e o chef Claude Troigros entraram na campanha de uma das empresas de Eike.

Não logrou êxito, como se sabe.

Em 2012, os jornais O Globo e Folha de S.Paulo noticiaram que a IMX, empresa de Eike responsável pelo estudo de viabilidade econômica do Complexo Esportivo do Maracanã, receberia R$ 2,4 milhões apenas para realizar o estudo.

No futebol, ele associou-se à Odebrecht quando da concessão do Maracanã, em 2013. Dois anos mais tarde, com o império em ruínas, Eike abriu mão de sua participação (5%) na administração do estádio.


Etíope que protestou na Rio-16 faz prova com final eletrizante nos EUA
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Daniel Brito

<!– fim: modflash —>O etíope Feyisa Lilesa, 26, e o Leonard Korir, 30, queniano naturalizado americano, chegaram a trocar empurrões a menos de cinco metros da linha de chegada da meia-maratona de Houston, realizada no último domingo, dia 15.
Um final eletrizante após os 21 quilômetros, que culminou com o ouro de Korir e a prata de Lilesa. Ambos cumpriram a distância em 1h01min14s, a diferença foi de centésimos, o que, em uma meia-maratona é algo incomum.

Lilesa, que lideoru boa parte da prova, poderia ter suportado a pressão de Korir, mas, ao ser ultrapassado a poucos metros do fim, preferiu diminuir o ritmo e cruzar a linha final com um gesto que ficou famoso na maratona olímpica na Rio-2016: cruzou os punhos, cerrados, em frente à testa.

É um protesto contra o governo da Etiópia, que persegue a etnia Oromo, da qual Lilesa e outros 38 milhões de etíopes fazem parte. O grupo, de maioria cristã, é um povo agrícola e semi-nômade, cuja história é marcada por problemas políticos com o governo. Com 38 milhões de pessoas, constituem cerca de 40% da população do país.

De acordo com a ONG Human Rights Watch, a Etiópia vive, desde o final de 2015, uma série de protestos contra a desapropriação de terras do povo Oromo como parte de um plano nacional de desenvolvimento. Em uma das ações do governo contra os Oromo, mais de 100 pessoas foram mortas, segundo relatos de organismos internacionais que atuam na Etiópia.

O caso ganhou as manchetes após Lilesa concluir a maratona olímpica da Rio-16 cruzando os punhos cerrados sobre a cabeça, na segunda colocação. Foi tão marcante que ele é mais lembrado do que Eliud Kipchoge, queniano que ficou com o ouro.

“Não me arrependo do que fiz no Rio”, disse, há pouco mais de 10 dias, Lilesa à BBC.

Após o fim dos Jogos Olímpicos, o etíope recusou-se a embarcar de volta para seu país, alegando correr risco de ser assassinado pelo governo. Ele garante que sua mulher e os dois filhos só não foram mortos por causa da repercussão de seu gesto. “É muito duro estar longe deles, mas mais difícil ainda é a situação dos Oromo”, afirmou.

Semanas após a Rio-16, Lilesa conseguiu um visto especial por habilidade para viver por um período determinado nos Estados Unidos. A Embaixada norte-americana em Brasília o ajudou na tarefa, de acordo com o Guardian,Já correu a maratona de Honolulu, no Havaí, e terminou em quarto. Agora, ficou com a prata na meia-maratona de Houston, no Texas.

“Minha família só não morreu porque meu caso ganhou muito destaque na imprensa internacional”, disse Lilesa. O visto americano venceria em janeiro, se não renovar, ele terá de voltar à Etiópia, ou tentar viver e treinar para maratonas em outro país. “Enquanto o meu visto americano estiver valendo, eu fico aqui. Vou tentar renová-lo”, afirmou à BBC.

RIO DE JANEIRO, BRAZIL - AUGUST 21:  Feyisa Lilesa of Ethiopia celebrates as he crosses the line to win silver during the Men's Marathon on Day 16 of the Rio 2016 Olympic Games at Sambodromo on August 21, 2016 in Rio de Janeiro, Brazil.  (Photo by Buda Mendes/Getty Images)

Etíope Lilesa cruzou a linha de chegada da maratona olímpica-2016 protestando contra o governo de seu país (Buda Mendes/Getty Images)


O que aconteceu à corredora que ajudou a rival que caiu em prova na Rio-16?
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Daniel Brito

RIO DE JANEIRO, BRAZIL - AUGUST 16:  Abbey D'Agostino of the United States (R) and Nikki Hamblin of New Zealand react after a collision during the Women's 5000m Round 1 - Heat 2 on Day 11 of the Rio 2016 Olympic Games at the Olympic Stadium on August 16, 2016 in Rio de Janeiro, Brazil.  (Photo by Ian Walton/Getty Images)

Abbey D’Agostino (número 6) rompeu o ligamento cruzado do joelho esquerdo na prova dos 5.000m (Walton/Getty)

Foi uma das cenas mais marcantes dos Jogos Olímpicos Rio-2016. Aconteceu em um fim de manhã quente de agosto, na pista azul de atletismo do Estádio Olímpico Nilton Santos. Dezessete mulheres disputavam a segunda bateria dos 5.000m. Na altura dos 3.200m, a neozelandesa Nikki Hamblin tropeçou na japonesa Misak Onishi e foi ao chão. Imediatamente atrás, vinha a americana Abbey D’Agostino, que não conseguiu frear e tombou ao lado. A japonesa nada sofreu e seguiu a corrida.

Abbey rapidamente se recompôs e, em vez de sacudir a poeira e terminar sua prova, puxou Nikki pelo ombro e disse algumas palavras de incentivo. Ao tentar retomar o ritmo, desabou no chão. Só no replay do tropeção é que dá para perceber.

A perna esquerda da americana fizera um movimento brusco, quase formando uma letra S, que resultou na ruptura total do ligamento cruzado anterior do joelho, além de lesão no menisco e torção no ligamento medial colateral. Quem já sofreu este tipo de contusão sabe o quão angustiante é ver alguém vivendo esta experiência.

Lesão pouco frequente no atletismo

RIO DE JANEIRO, BRAZIL - AUGUST 16:  Abbey D'Agostino of the United States (R) and Nikki Hamblin of New Zealand react after a collision during the Women's 5000m Round 1 - Heat 2 on Day 11 of the Rio 2016 Olympic Games at the Olympic Stadium on August 16, 2016 in Rio de Janeiro, Brazil.  (Photo by Ian Walton/Getty Images)

(RIan Walton/Getty Images)

Quantos jogadores de futebol já não saíram de maca, aos prantos, após romper os ligamentos do joelho? É uma contusão até certo ponto comum em modalidades em que se exige a mudança de direção do atleta, como futebol e outros esportes com bola (basquete, vôlei, handebol). No atletismo acontece, mas com frequência irregular.

Pois Abbey tombou com o joelho esquerdo em frangalhos. Aí foi a vez da neozelandesa Nikki Hamblin retribuir a delicadeza e incetivá-la a terminar a prova. “Quando eu caí, me flagrei pensando: ‘Deus, o que aconteceu, por que eu estou no chão?’ Aí eu senti uma mão no meu ombro, era Abbey D’Agostino dizendo: ‘Levante-se, vamos terminar esta prova, estamos nos Jogos Olímpicos’”, relatou Nikki Hamblim aos jornalistas após a bateria.

O que D’Agostino fez a seguir parecia impossível para quem acabara de romper um ligamento, torcer o outro e lesionar o menisco. Completou os 1.800 metros restantes e fechou a prova em 17min10s02 (mais rápido que o blogueiro – o que não é difícil). Na soma do tempo de todas as participantes, a americana foi a antepenúltima, à frente de uma atleta das Ilhas Salomão e do Congo, porém, três minutos mais lenta que a campeã olímpica dos 5.000m, a queniana Vivian Cheroiyot.

Abbey D’Agostino deixou a pista em cadeira de rodas. Ganhou uma vaga na final, porém, não tinha a menor condição de competiu. E não o fez desde então. No dia seguinte já estava tudo pronto para a cirurgia de reconstrução do ligamento (praticamente do joelho todo) nos primeiros dias de setembro.

Status de campeã olímpica em casa
A partir daí, ela se tornou celebridade. Sua imagem puxando Hamblin para retomar a corrida foi tão vista pelo mundo quanto a conquista dos ouros de Phelps e Bolt ou o penâlti de Neymar contra a Alemanha. Entrou para o hall de momentos inesquecíveis, como o da maratonista Gabrielle Andersen, ao final da maratona dos Jogos de Los Angeles-84, totalmente debilitada a dar a última volta no estádio olímpico para cumprir os 42km da prova.

Abbey retornou a Boston, onde mora e estuda. Foi homenageada em um jogo do Boston Red Sox, no mítico estádio de Fenway Park, também compareceu em um jogo da NFL para receber honrarias do New England Patriots, e no jogo do Boston Celtics, da NBA. Juntou-se à judoca Kayla Harrison, que faturou o bi olímpico na Rio-16, e outros medalhistas do Estado de New England e foi laureada pelos feitos.

Espera-se que agora em janeiro ela possa retomar os treinos normalmente. “Eu espero, de verdade, que possa voltar a correr em alto nível, que ainda tenha uma jornada para seguir no mundo do atletismo”, disse ao Boston Globe, em dezembro, Abbey D’agostino.

RIO DE JANEIRO, BRAZIL - AUGUST 17:  New Zealand distance runner, Nikki Hamblin and American runner, Abbey D'Agostino pose for a portrait on August 17, 2016 in Rio de Janeiro, Brazil. Hamblin and D'Agostino came last in their 5000m heat on Tuesday after they collided and fell midway through their race. The pair have been commended for their sportsmanship after they helped each other up to finish the race.  (Photo by Chris Graythen/Getty Images)

Abbey (à esq.) e Nikki se tornaram amigas após o incidente (Chris Graythen/Getty Images)


Ela ganhou o ouro na Rio-16 mesmo estando grávida. E não sabia
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Daniel Brito

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Silvânia foi campeã paraolímpica no salto em distância para atletas totalmente cegos (Márcio Rodrigues/Mpix/CPB)

Agora que a poeira já baixou, a adrenalina já foi gasta, no conforto de casa, Silvânia Costa, 29, garante que não teria disputado os Jogos Paraolímpicos do Rio-2016 se soubesse que estava grávida. E ela não sabia, mas naqueles dias de setembro já carregava no útero João Guilherme, seu segundo filho, que deve nascer em março próximo.

Por sorte, ela não só participou da Paraolimpíada como deu uma medalha de ouro para o Brasil no salto em distância na classe entre atletas totalmente cegos. Pódio inédito para o país, um dos 14 que ajudaram os anfitriões a chegar ao 8º lugar no quadro na Rio-16.

“Na época dos Jogos Paraolímpicos, eu não sentia nada. Não tinha enjoo, que é comum no início da gravidez, não tinha aumento de peso, pelo contrário, estava até mais magra”, conta ao blog Silvânia.

Ela relata que seus ciclos menstruais são irregulares, por isso não tinha pista que havia pouco mais de um mês gestava um filho – o segundo, já que há 11 anos é mãe da Leticia Gabriella. “Tinha planos de ter um segundo filho após as Paraolimpíadas. Se eu soubesse antes da competição que estava grávida, não teria disputado, não arriscaria”, garante.

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Atleta do Mato Grosso do Sul garante que se soubesse, não disputaria a Rio-16 grávida (Márcio Rodrigues/Mpix/CPB)

A gravidez só foi notada mais de 15 dias após o fim da competição, nas curtas férias que desfrutou em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, cidade de 100 mil habitantes a 860 quilômetros da capital, Campo Grande. “Comecei a perceber meus seios maiores e me assustei. Fiz o teste e não deu outra. Estava grávida mesmo, fiquei assustada pensando nas datas, se algo poderia ter acontecido com o bebê pelo esforço que fiz durante a Rio-16”.

Silvânia tem uma enfermidade chamada Doença de Stargardt, na qual a visão vai regredindo com o passar dos anos. Seu irmão mais velho, Ricardo, também tem a mesma doença e, coincidentemente, foi campeão paraolímpico no Rio-16 também na classe entre atletas totalmente cegos no salto em distância. Os dois começaram a participar de atividades esportivas em Três Lagoas ainda na adolescência, em um projeto social.

Silvânia está realizando todos os exames pré-natal e João Guilherme está saudável. Competir grávida não causou dano algum à saúde nem da mãe e nem do bebê. Ela até brinca e diz que o pequeno já nascerá campeão paraolímpico. Em dezembro, foi eleita a atleta do ano em premiação realizada pelo CPB (Comitê Paraolímpico Brasileiro).

E ela ainda acredita que poderá disputar o Mundial de atletismo paraolímpico, em julho em Londres, no mesmo estádio que recebeu os Jogos-2012, no norte da capital inglesa.  “E o João Guilherme vai comigo, quem sabe?”, provoca.

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Depois da conquista do ouro na Rio-16, Silvânia foi eleita a atleta do ano pelo CPB (Fernando Maia/Mpix/CPB)


Após críticas na Rio-16, De Rose é excluído na Agência Mundial Antidopagem
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Daniel Brito

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Eduardo de Rose foi gerente de dopagem na Rio-16, duramente criticado pela Wada

O médico gaúcho Eduardo de Rose perdeu dois cargos que ocupava na Wada (Agência Mundial Antidopagem, na sigla em inglês), ambos no topo do organograma da entidade, sediada em Montreal. Ele deixou o Comitê de Fundadores (Foundation Board, em inglês) e Comitê Executivo, após reunião da agência em Glasgow, na Escócia, no mês passado.

De Rose integrava o corpo diretivo da Wada havia quase duas décadas e sua saída coincide com o relatório produzido pela agência sobre o trabalho de controle de dopagem durante os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do Rio-2016.
Eduardo de Rose foi gerente-geral da área de antidoping do evento, encerrado em setembro, e um relatório divulgado em outubro espinafrou o trabalho comandado pelo médico na Rio-16. Em mais de 50 páginas, quase todas as ações que seriam de responsabilidade do departamento comandado por De Rose foram duramente criticadas.

Segundo o documento, diversos atletas escolhidos para os exames “simplesmente não puderam ser encontrados” e “mais de 50% dos testes foram abortados”. De acordo com a Wada, houve falta de coordenação na equipe encarregada de dirigir o departamento antidoping dos Jogos.

Uma das justificativas dada por De Rose foi corte de gastos do Comitê Organizador. Porém, havia o compromisso público do governo federal de arcar com os custos das análises de urina e sangue dos atletas, assim sendo, Rio-2016 não teria gastos com esta operação.

No Comitê dos Fundadores, ele foi substituído por Zlatko Matesa, presidente do Comitê Olímpico da Croácia. Esta comissão tem o status de um conselho de administração. É ele que avaliza os nomes para o Comitê Executivo, este sim, administra a gestão da Wada, tanto financeira quanto operacional.

Entre o fim da Rio-2016 e o relatório dos Jogos, o Brasil tentou usar o prestígio de De Rose na Wada para evitar o descredenciamento da ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem). O ministro do Esporte, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), levou o médico a Montreal, sede da Wada,  para mostrar que o país seguia todas as exigências.

Não surtiu efeito.

Nesta mesma reunião em que De Rose perdeu os cargos nos comitês, em Glasgow, em novembro, a ABCD foi descredenciada e, em breve, o mesmo pode ocorrer com o LBCD (Laboratório Brasileiro de Controle de de Dopagem), na UFRJ, construído por R$ 188 milhões.

Com a saída de De Rose, o Brasil não tem mais representantes em nenhuma das comissões da Wada.

Aqui no Brasil, o médico gaúcho mantém-se prestigiado.

No final de novembro, após perder os cargos na Agência Mundial Antidopagem, ele foi nomeado como um dos integrantes do Tribunal de Justiça Desportiva Antidopagem, que até fevereiro deve estar em funcionamento, mantido com recursos da União. Além disso, o braço direito de De Rose na desastrada operação na Rio-2016, Alexandre Nunes, atualmente ocupa um cargo diretivo na ABCD.


Correios cortam 75% do patrocínio ao tênis brasileiro
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Daniel Brito

*Com Fábio Aleixo

A CBT (Confederação Brasileira de Tênis) sofreu um corte de 75% no patrocínio dos Correios. A renovação do acordo foi publicada na edição desta segunda-feira, 5, no Diário Oficial da União, no valor de R$ 4 milhões pelo período de dois anos.

O apoio, sem necessidade de licitação, foi firmado sob a rubrica: “Patrocínio Esportivo visando ao desenvolvimento da modalidade esportiva tênis”. Mas, curiosamente, o desenvolvimento da modalidade pode estar comprometido pela queda no valor do patrocínio.

Em setembro, o presidente da CBT, Jorge Lacerda, enviou carta aos presidentes das federações estaduais explicando as dificuldades financeiras dos Correios (prejuízo superior a R$ 2 bilhões em 2015) e os cortes que teriam que ser feitos pela estatal no investimento. A CBT vai mudar a sede de São Paulo para Florianópolis, estado de origem de Lacerda. Além disso, 55 contratos que tinham prazos relacionados ao acordo com os Correios não foram renovados – o que inclui “pessoal da CBT, treinadores, jogadores e colaboradores”.

Em 2015, último ano da preparação para o Rio-2016, a confederação foi contemplada com R$ 8,6 milhão dos Correios, de um total superior a R$ 17 milhões injetados na entidade pela empresa pública no triênio 2014-2016.
Se não conseguir outros patrocinadores, a CBT pode encontrar dificuldades para fechar as contas nos próximos anos. Visto que o exercício de 2015 terminou com déficit de R$ 45 mil, apesar de ter tido uma receita superior a R$ 15 milhões.