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Romário fez cirurgia controversa para não largar doces; médico nega riscos
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Daniel Brito

Imagens de Romário bem mais magro assustaram fãs. Imagem: Instagram/Reprodução

Fotos de Romário bem mais magro assustaram fãs. Imagem: Instagram/Reprodução

* Colaborou Pedro Ivo Almeida

A versão 2017 de Romário, senador da República pelo PSB do Rio, causou espanto. Fotos do ex-jogador com fãs e até jogando futvôlei na Barra da Tijuca circularam na internet com a informação de que ele está com diabetes e recupera-se de uma cirurgia para amenizar os efeitos da doença.

A cirurgia foi realizada no início de dezembro com o médico goiano Áureo Ludovico de Paula e foi motivo de controvérsias. Afinal, é grave o estado de saúde de Romário? Desde quando ele apresenta os sintomas da diabetes? Nunca mais poderá jogar seu futvôlei nas folgas no Rio?

“Absolutamente. Doze dias após o procedimento cirúrgico, Romário já estava jogando. Considero que o senador sente-se bem com o peso atual. Nas palavras dele:  ‘Não me sinto assim há 15 anos’”, informou Ludovico.

O médico afirma que não há sequelas para a técnica, que Romário está fazendo reposição de mineirais e vitaminas e que, boa notícia para o senador, pode comer doces normalmente, tipo de alimento em que é fissurado. “As recomendações são as mesmas da organização mundial da saúde para vida saudável, acrescidas de necessidade de 5 refeições ao dia. Ele já está consumindo doces”, explicou o Ludovico.

Romário apresentou os primeiros quadros pré-diabetes há cerca de quatro anos. A situação se agravou com o passar dos anos até chegar aos níveis apresentados em exames feitos pela equipe de Ludovico em  2016.

“Quando nos procurou o IMC [índice de massa corporal] do Sr. Romário Faria era 31 kg/m2 [peso em quilogramas pelo quadrado da altura em metros] e estava apto para o procedimento após minuciosa e detalhada avaliação geral de pré-operatório”, disse o médico.

A diabetes 2 surge quando o organismo não consegue usar a insulina que produz de forma adequada, ou produz insulina insuficiente para controlar a glicemia. A doença se manifesta na idade adulta por uma junção de predisposição genética, sedentarismo, obesidade e má alimentação.

Romário perdeu cerca de 10 kg. Imagem: Renato Costa/folhaPress

Romário perdeu cerca de 10 kg após realizar a cirurgia. Imagem: Renato Costa/folhaPress

Se assemelha a uma cirurgia bariátrica convencional, a diferença da técnica a qual Romário foi submetido está na recolocação do íleo (fim do intestino delgado) entre o duodeno e o jejuno, o que aumenta a produção de hormônios da saciedade e melhoram o diabetes.

Como resultado pelo procedimento cirúrgico, Romário perdeu peso. Caiu dos 80 quilos, que exibia no Senado até dezembro para abaixo dos 70 quilos. “A perda de peso é temporária. O seu peso ideal será entre 65 e 70 kg”, explicou Ludovico.

A técnica é controversa e motivo de críticas por especialistas, conforme o UOL mostrou há duas semanas. “Não é uma técnica experimental por força de uma decisão de juízo federal, em vigência, válida para todas as pessoas no Brasil e  alcança retroativamente a todos, desde o início. Esse juízo federal determinou ainda a regulamentação do procedimento pelo Conselho Federal de Medicina”, defende Ludovico.

Tags : Romário


Etíope que protestou na Rio-16 faz prova com final eletrizante nos EUA
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Daniel Brito

<!– fim: modflash —>O etíope Feyisa Lilesa, 26, e o Leonard Korir, 30, queniano naturalizado americano, chegaram a trocar empurrões a menos de cinco metros da linha de chegada da meia-maratona de Houston, realizada no último domingo, dia 15.
Um final eletrizante após os 21 quilômetros, que culminou com o ouro de Korir e a prata de Lilesa. Ambos cumpriram a distância em 1h01min14s, a diferença foi de centésimos, o que, em uma meia-maratona é algo incomum.

Lilesa, que lideoru boa parte da prova, poderia ter suportado a pressão de Korir, mas, ao ser ultrapassado a poucos metros do fim, preferiu diminuir o ritmo e cruzar a linha final com um gesto que ficou famoso na maratona olímpica na Rio-2016: cruzou os punhos, cerrados, em frente à testa.

É um protesto contra o governo da Etiópia, que persegue a etnia Oromo, da qual Lilesa e outros 40 milhões de etíopes fazem parte. O grupo, de maioria cristã, é um povo agrícola e semi-nômade, cuja história é marcada por problemas políticos com o governo. Com 38 milhões de pessoas, constituem cerca de 40% da população do país.

De acordo com a ONG Human Rights Watch, a Etiópia vive, desde o final de 2015, uma série de protestos contra a desapropriação de terras do povo Oromo como parte de um plano nacional de desenvolvimento. Em uma das ações do governo contra os Oromo, mais de 100 pessoas foram mortas, segundo relatos de organismos internacionais que atuam na Etiópia.

O caso ganhou as manchetes após Lilesa concluir a maratona olímpica da Rio-16 cruzando os punhos cerrados sobre a cabeça, na segunda colocação. Foi tão marcante que ele é mais lembrado do que Eliud Kipchoge, queniano que ficou com o ouro.

“Não me arrependo do que fiz no Rio”, disse, há pouco mais de 10 dias, Lilesa à BBC.

Após o fim dos Jogos Olímpicos, o etíope recusou-se a embarcar de volta para seu país, alegando correr risco de ser assassinado pelo governo. Ele garante que sua mulher e os dois filhos só não foram mortos por causa da repercussão de seu gesto. “É muito duro estar longe deles, mas mais difícil ainda é a situação dos Oromo”, afirmou.

Semanas após a Rio-16, Lilesa conseguiu um visto especial por habilidade para viver por um período determinado nos Estados Unidos. A Embaixada norte-americana em Brasília o ajudou na tarefa, de acordo com o Guardian,Já correu a maratona de Honolulu, no Havaí, e terminou em quarto. Agora, ficou com a prata na meia-maratona de Houston, no Texas.

“Minha família só não morreu porque meu caso ganhou muito destaque na imprensa internacional”, disse Lilesa. O visto americano venceria em janeiro, se não renovar, ele terá de voltar à Etiópia, ou tentar viver e treinar para maratonas em outro país. “Enquanto o meu visto americano estiver valendo, eu fico aqui. Vou tentar renová-lo”, afirmou à BBC.

RIO DE JANEIRO, BRAZIL - AUGUST 21: Feyisa Lilesa of Ethiopia celebrates as he crosses the line to win silver during the Men's Marathon on Day 16 of the Rio 2016 Olympic Games at Sambodromo on August 21, 2016 in Rio de Janeiro, Brazil. (Photo by Buda Mendes/Getty Images)

Etíope Lilesa cruzou a linha de chegada da maratona olímpica-2016 protestando contra o governo de seu país (Buda Mendes/Getty Images)


COB põe teto em salário de dirigentes, mas paga mais a seus executivos
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O Comitê Olímpico Brasileiro estabeleceu um teto salarial para os presidentes das confederações filiadas. Nenhum diretor estatutário (eleito em assembleia) pode ter vencimento mensal superior a R$ 22 mil. O corpo diretivo do comitê, entretanto, não se enquadra nesta regra e a remuneração de um executivo pode superar os R$ 40 mil.

Ambas as informações estão no site do COB, na seção “gestão financeira”.

A regulamentação do salário dos “diretores estatutários” das confederações foi oficializada em portaria publicada na página do comitê no final de novembro último passado. Duas semanas mais tarde, o TCU (Tribunal de Contas da União) pôs em pauta no plenário um relatório sobre os salários dos dirigentes, entre outras coisas.

A tabela de cargos e salários de todos os funcionários do COB, publicada após exigência do TCU  por utilizar dinheiro público, aponta: diretor-executivo e secretário-geral ambos embolsam rendimentos superiores a R$ 40 mil. O UOL Esporte revelou a queda do sigilo dos salários do COB em março de 2015, quase dois anos atrás.

(O presidedente do COB, Carlos Arthur Nuzman, na cadeira desde 1995, portanto, 22 anos, não recebe salário,  como você já leu no link do parágrafo acima)

Os salários dos demais cartolas do COB, de acordo com o próprio comitê, seguem parâmetros estabelecidos em pesquisa de mercado, levando-se em conta a capacidade e experiência de cada funcionário. Já a cartolagem das filiadas (confederações) mantidas, majoritariamente, à base de verba da Lei Piva (arrecadação das loterias – recurso público), precisa obedecer lei federal que regula limite salarial do funcionalismo público.

Ao blog, o COB explicou, por intermédio de sua assessoria de imprensa, a disparidade nos salários entre seus executivos e os presidentes de confederações. “O limite da remuneração dos servidores públicos federais equivale ao subsídio de Ministro do STF, cujo valor é R$33.763,00. Portanto, para fins de cálculo da remuneração dos dirigentes estatutários (presidentes eleitos em suas Confederações são dirigentes estatutários) calculou-se 70% desse teto, que daria R$23.634,10, segundo o TCU  e se padronizou que, com recursos da Lei Agnelo Piva o valor seria R$22.000,00”.

Os técnicos do TCU que elaboraram o relatório posto em pauta em dezembro-16 pelo ministro Vital do Rêgo Filho, conhecido na Paraíba, seu Estado de origem, como Vitalzinho (citado repetidas vezes em delações na Operação Lava Jato), entendem que o COB paga “salário superior, em seu valor bruto, a 70% do limite estabelecido para a remuneração de servidores do Poder Executivo Federal''.  O relatório aponta que o comitê pode até ultrpassar o limite do funcionalismo federal, desde que o faça com recursos da iniciativa privada e não da Lei Piva.

Ao blog, o COB deu seu justificativa: “Caso o COB decida remunerar seus dirigentes com recursos públicos, pois hoje não o faz, certamente observará o mesmo teto:70% (setenta por cento) do limite estabelecido para a remuneração de servidores do Poder Executivo federal”.

 


O que aconteceu à corredora que ajudou a rival que caiu em prova na Rio-16?
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Daniel Brito

RIO DE JANEIRO, BRAZIL - AUGUST 16: Abbey D'Agostino of the United States (R) and Nikki Hamblin of New Zealand react after a collision during the Women's 5000m Round 1 - Heat 2 on Day 11 of the Rio 2016 Olympic Games at the Olympic Stadium on August 16, 2016 in Rio de Janeiro, Brazil. (Photo by Ian Walton/Getty Images)

Abbey D'Agostino (número 6) rompeu o ligamento cruzado do joelho esquerdo na prova dos 5.000m (Walton/Getty)

Foi uma das cenas mais marcantes dos Jogos Olímpicos Rio-2016. Aconteceu em um fim de manhã quente de agosto, na pista azul de atletismo do Estádio Olímpico Nilton Santos. Dezessete mulheres disputavam a segunda bateria dos 5.000m. Na altura dos 3.200m, a neozelandesa Nikki Hamblin tropeçou na japonesa Misak Onishi e foi ao chão. Imediatamente atrás, vinha a americana Abbey D’Agostino, que não conseguiu frear e tombou ao lado. A japonesa nada sofreu e seguiu a corrida.

Abbey rapidamente se recompôs e, em vez de sacudir a poeira e terminar sua prova, puxou Nikki pelo ombro e disse algumas palavras de incentivo. Ao tentar retomar o ritmo, desabou no chão. Só no replay do tropeção é que dá para perceber.

A perna esquerda da americana fizera um movimento brusco, quase formando uma letra S, que resultou na ruptura total do ligamento cruzado anterior do joelho, além de lesão no menisco e torção no ligamento medial colateral. Quem já sofreu este tipo de contusão sabe o quão angustiante é ver alguém vivendo esta experiência.

Lesão pouco frequente no atletismo

RIO DE JANEIRO, BRAZIL - AUGUST 16: Abbey D'Agostino of the United States (R) and Nikki Hamblin of New Zealand react after a collision during the Women's 5000m Round 1 - Heat 2 on Day 11 of the Rio 2016 Olympic Games at the Olympic Stadium on August 16, 2016 in Rio de Janeiro, Brazil. (Photo by Ian Walton/Getty Images)

(RIan Walton/Getty Images)

Quantos jogadores de futebol já não saíram de maca, aos prantos, após romper os ligamentos do joelho? É uma contusão até certo ponto comum em modalidades em que se exige a mudança de direção do atleta, como futebol e outros esportes com bola (basquete, vôlei, handebol). No atletismo acontece, mas com frequência irregular.

Pois Abbey tombou com o joelho esquerdo em frangalhos. Aí foi a vez da neozelandesa Nikki Hamblin retribuir a delicadeza e incetivá-la a terminar a prova. “Quando eu caí, me flagrei pensando: ‘Deus, o que aconteceu, por que eu estou no chão?’ Aí eu senti uma mão no meu ombro, era Abbey D’Agostino dizendo: ‘Levante-se, vamos terminar esta prova, estamos nos Jogos Olímpicos’”, relatou Nikki Hamblim aos jornalistas após a bateria.

O que D’Agostino fez a seguir parecia impossível para quem acabara de romper um ligamento, torcer o outro e lesionar o menisco. Completou os 1.800 metros restantes e fechou a prova em 17min10s02 (mais rápido que o blogueiro – o que não é difícil). Na soma do tempo de todas as participantes, a americana foi a antepenúltima, à frente de uma atleta das Ilhas Salomão e do Congo, porém, três minutos mais lenta que a campeã olímpica dos 5.000m, a queniana Vivian Cheroiyot.

Abbey D’Agostino deixou a pista em cadeira de rodas. Ganhou uma vaga na final, porém, não tinha a menor condição de competiu. E não o fez desde então. No dia seguinte já estava tudo pronto para a cirurgia de reconstrução do ligamento (praticamente do joelho todo) nos primeiros dias de setembro.

Status de campeã olímpica em casa
A partir daí, ela se tornou celebridade. Sua imagem puxando Hamblin para retomar a corrida foi tão vista pelo mundo quanto a conquista dos ouros de Phelps e Bolt ou o penâlti de Neymar contra a Alemanha. Entrou para o hall de momentos inesquecíveis, como o da maratonista Gabrielle Andersen, ao final da maratona dos Jogos de Los Angeles-84, totalmente debilitada a dar a última volta no estádio olímpico para cumprir os 42km da prova.

Abbey retornou a Boston, onde mora e estuda. Foi homenageada em um jogo do Boston Red Sox, no mítico estádio de Fenway Park, também compareceu em um jogo da NFL para receber honrarias do New England Patriots, e no jogo do Boston Celtics, da NBA. Juntou-se à judoca Kayla Harrison, que faturou o bi olímpico na Rio-16, e outros medalhistas do Estado de New England e foi laureada pelos feitos.

Espera-se que agora em janeiro ela possa retomar os treinos normalmente. “Eu espero, de verdade, que possa voltar a correr em alto nível, que ainda tenha uma jornada para seguir no mundo do atletismo”, disse ao Boston Globe, em dezembro, Abbey D’agostino.

RIO DE JANEIRO, BRAZIL - AUGUST 17: New Zealand distance runner, Nikki Hamblin and American runner, Abbey D'Agostino pose for a portrait on August 17, 2016 in Rio de Janeiro, Brazil. Hamblin and D'Agostino came last in their 5000m heat on Tuesday after they collided and fell midway through their race. The pair have been commended for their sportsmanship after they helped each other up to finish the race. (Photo by Chris Graythen/Getty Images)

Abbey (à esq.) e Nikki se tornaram amigas após o incidente (Chris Graythen/Getty Images)


Jogadores da NBA recusam hospedagem em hotel de luxo de Donald Trump
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Daniel Brito

Uma insurreição vem crescendo quase que silenciosamente na NBA, liderada pelos próprios jogadores, e ajuda a explicar o clima de tensa política que toma conta dos Estados Unidos. Atletas de pelo menos quatro times se recusaram a ficar hospedados em hotéis da rede de Donald Trump, que ainda este mês será empossado presidente do país.

Desde o começo da temporada 2016-2017, Milwaukee Bucks, Dallas Mavericks, Los Angeles Lakers e até o atual campeão, Cleveland Cavaliers, “fugiram” dos hotéis Trump quando foram jogar em Nova York. Há um quinto time que teria deixado de se acomodar em uma das filiais do grupo do futuro presidente, o Detroit Pistons, porém, Stan Van Gundy, técnico da equipe, afirmou que eles nunca haviam feito reserva para um hotel Trump.

Gundy, no entanto, não deixou de expressar seu orgulho pelo movimento dos jogadores em evitar dar lucros a Trump. “Eu fico bastante orgulhoso pelos jogadores da minha equipe e da liga em geral por compreenderem o que se passa no país e por se levantarem por seus ideais”, afirmou.

A repulsa a Trump passa, essencialmente, por seu discurso de negação à luta dos negros americanos contra a violência policial. Durante a campanha, o presidente eleito postou no Twitter um gráfico no qual havia uma estatística na qual os afro-americanos matam brancos e negros em taxas muito mais altas do que as mortes cometidas por brancos ou policiais. O FBI, contudo, já anunciou publicamente que a fonte do estudo é falsa, assim como a os números em si.

O hotel recusado pelos basquetebolistas é o Trump SoHo, bem no centro da ilha de Manhattan. É um cinco estrelas cuja diária pode começar custando R$ 1.200 na suíte mais simples. Costumava ser um ponto de hospedagem clássico para os times que jogam em Nova York. Hoje é um dos focos de protestos dos eleitores contra Trump.

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(divulgação)

Constrangida pela decisão dos jogadores, a direção dos Lakers negou ao Los Angeles Times que houvesse conotação política na decisão de não acomodar-se no local, mas apenas fugir dos protestos para dar mais tranquilidade aos atletas na noite anterior ao jogo.

Já Jabari Parker, ala do Bucks, não mediu as palavras ao Milwaukee Journal Sentinel.''Estou muito orgulhoso por não ficar lá porque não posso estar confortável próximo aos seus negócios'', disse,

LeBron também liderou o boicote no Cavaliers. “Motivos pessoais”, respondeu aos jornalistas de forma lacônica ao afirmar o motivo pelo qual negou o Trump SoHo. É importante lembrar que James foi cabo eleitoral de Hilary Clinton, derrotada por Trump no pleito presidencial de novembro passado.

Com este clima de animosidade, fica até difícil imaginar se haverá aquela tradicional foto da equipe campeã da atual temporada (e das próximas) com o presidente dos Estados Unidos na Casa Branca, que Barack Obama tanto se orgulhava de receber – e às vezes até bater uma bolinha.

EAST RUTHERFORD, NJ - OCTOBER 31: Donald Trump sits courtside at the New Jersey Nets and the Chicago Bulls game at the Izod Center on October 31, 2007 in East Rutherford, New Jersey. NOTE TO USER: User expressly acknowledges and agrees that, by downloading and or using this photograph, user is consenting to the term and conditions of the Getty Images License Agreement (Photo by Nick Laham/Getty Images)

(Nick Laham/Getty Images)


Gabriel Medina tem aval para captar R$ 3 mi em verba pública para Instituto
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O Ministério do Esporte autorizou o surfista paulista Gabriel Medina a captar, por intermédio do instituto que leva seu nome, R$ 3,7 milhões da Lei de Incentivo ao Esporte, que concede dedução fiscal a empresas interessadas em investir em projetos aprovados pela pasta.

A verba deve ser destinada ao Instituto Gabriel Medina, que está em fase final de construção na praia de Maresias, em São Sebastião, litoral norte do Estado de São Paulo, e atenderá cerca de 60 jovens e crianças da região.

Em texto publicado no site da WSL (sigla em inglês para Liga Mundial de Surfe), consta a informação de que os recursos da lei serão utilizados para manutenção do Instituto. Já a construção da sede da entidade, que deve ter mais de 300 metros quadrados, com acesso direto à praia, está sendo bancado com recursos próprios, segundo a família Medina.

O blog entrou em contato com a assessoria do surfista, que disse que o Instituto já está em busca de parceiros para captar os recursos da lei.

A autorização pela lei de incentivo coincide com publicação da revista especializada em surfe Stab Magazine, segundo a qual Gabriel Medina é o segundo surfista que mais faturou no circuito mundial, com cerca de US$ 5,5 milhões (R$ 17,6 milhões). Nesta conta, de acordo com a publicação especializada, estão incluídos os patrocínios. Só em premiação por etapas disputadas na WSL ele embolsou US$ 1,8 milhão (R$ 5,7 milhões) – ou seja, Medina tem autorização do Ministério do Esporte de captar um pouco mais da metade do que já faturou em prêmios no circuito mundial.

Isso, obviamente, não o impede de apresentar projetos de lei de incentivo ao esporte. Até porque, o instrumento tem reservados anualmente R$ 400 milhões do orçamento geral da União do que seria arrecadado em impostos das empresas são destinados aos projetos. Trocando em miúdos: este dinheiro deixa de ir para o Tesouro, não financiará escolas, hospitais ou segurança pública, mas sim projetos esportivos, como o de Medina, por exemplo.

Em 10 anos de existência da lei, nunca conseguiu-se chegar perto dos R$ 400 milhões captados, somando todos os projetos. O máximo foram R$ 250 milhões. O ministério empreende um esforço, inclusive no Congresso Nacional, para criar novos mecanismos para alcançar este teto.

Medina quer formar novos surfistas, promoverá torneios entre os jovens e oferecerá aulas de natação, funcional, musculação, entre outras atividades. A ideia é tentar torná-los profissionais. Os participantes não pagarão nada ao Instituto.

<> on May 15, 2015 in Rio de Janeiro, Brazil.

Medina espera por em funcionamento seu instituto ainda no início deste ano (Buda Mendes/Getty)


Governo usa agências do Ministério do Esporte para campanha da previdência
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O Ministério do Esporte está fazendo a campanha publicitária do governo federal sobre a reforma da previdência. As empresas Agência Nacional de Propaganda e Calia/Y2 Propaganda e Marketing são as responsáveis pela campanha. Juntas, elas venceram licitação da pasta e dividem igualmente um total de R$ 55 milhões.

Devem dar publicidade às pautas do Ministério do Esporte, como bolsa atleta ou lei de incentivo ao esporte, apenas para citar alguns programas. Porém, a Secom (Secretaria de Comunicação) da Presidência da República transferiu R$ 16 milhões, via Termo de Execução Descentralizada (TED), para pagamento da campanha da reforma da Previdência Social e também de “prestação de contas” do governo.

“A transferência de recursos ocorreu apenas para aproveitar saldo contratual com agência de publicidade existente no Ministério do Esporte, procedimento respaldado pela Portaria Conjunta dos Ministérios do Planejamento, da Fazenda e da Controladoria-Geral da União nº 8, de 7 de novembro de 2012”, justificou a Secom, em nota.

Considerando que a Secom ''aproveitou saldo contratual'' do Esporte , restarão ainda R$ 39 milhões do acordo com as agências para realização de suas próprias campanhas – isto, claro, caso não tenha que “emprestar” o saldo contratual por outros órgãos do governo.

O Ministério do Esporte não considera que esteja pagando pela campanha que pouco tem a ver com sua área de atuação. “As campanhas em produção, a partir de requerimento da Secom são realizadas com recursos daquela Secretaria, aproveitando o contrato do Ministério do Esporte com as duas agências”, informou o Esporte, por meio de assessoria, na sexta-feira, 30 de dezembro.

A ação publicitária sobre a previdência está no ar e visa sensibilizar a população sobre a proposta de reforma. Ela foi enviada pelo Palácio do Planalto ao Congresso Nacional com a justificativa de diminuir o déficit da previdência social, que saltou para R$ 149 bilhões em 2016, segundo estimativas do governo. O valor corresponde a 2,38% do Produto Interno Bruto (PIB).


Ela ganhou o ouro na Rio-16 mesmo estando grávida. E não sabia
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Daniel Brito

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Silvânia foi campeã paraolímpica no salto em distância para atletas totalmente cegos (Márcio Rodrigues/Mpix/CPB)

Agora que a poeira já baixou, a adrenalina já foi gasta, no conforto de casa, Silvânia Costa, 29, garante que não teria disputado os Jogos Paraolímpicos do Rio-2016 se soubesse que estava grávida. E ela não sabia, mas naqueles dias de setembro já carregava no útero João Guilherme, seu segundo filho, que deve nascer em março próximo.

Por sorte, ela não só participou da Paraolimpíada como deu uma medalha de ouro para o Brasil no salto em distância na classe entre atletas totalmente cegos. Pódio inédito para o país, um dos 14 que ajudaram os anfitriões a chegar ao 8º lugar no quadro na Rio-16.

“Na época dos Jogos Paraolímpicos, eu não sentia nada. Não tinha enjoo, que é comum no início da gravidez, não tinha aumento de peso, pelo contrário, estava até mais magra”, conta ao blog Silvânia.

Ela relata que seus ciclos menstruais são irregulares, por isso não tinha pista que havia pouco mais de um mês gestava um filho – o segundo, já que há 11 anos é mãe da Leticia Gabriella. “Tinha planos de ter um segundo filho após as Paraolimpíadas. Se eu soubesse antes da competição que estava grávida, não teria disputado, não arriscaria”, garante.

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Atleta do Mato Grosso do Sul garante que se soubesse, não disputaria a Rio-16 grávida (Márcio Rodrigues/Mpix/CPB)

A gravidez só foi notada mais de 15 dias após o fim da competição, nas curtas férias que desfrutou em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, cidade de 100 mil habitantes a 860 quilômetros da capital, Campo Grande. “Comecei a perceber meus seios maiores e me assustei. Fiz o teste e não deu outra. Estava grávida mesmo, fiquei assustada pensando nas datas, se algo poderia ter acontecido com o bebê pelo esforço que fiz durante a Rio-16”.

Silvânia tem uma enfermidade chamada Doença de Stargardt, na qual a visão vai regredindo com o passar dos anos. Seu irmão mais velho, Ricardo, também tem a mesma doença e, coincidentemente, foi campeão paraolímpico no Rio-16 também na classe entre atletas totalmente cegos no salto em distância. Os dois começaram a participar de atividades esportivas em Três Lagoas ainda na adolescência, em um projeto social.

Silvânia está realizando todos os exames pré-natal e João Guilherme está saudável. Competir grávida não causou dano algum à saúde nem da mãe e nem do bebê. Ela até brinca e diz que o pequeno já nascerá campeão paraolímpico. Em dezembro, foi eleita a atleta do ano em premiação realizada pelo CPB (Comitê Paraolímpico Brasileiro).

E ela ainda acredita que poderá disputar o Mundial de atletismo paraolímpico, em julho em Londres, no mesmo estádio que recebeu os Jogos-2012, no norte da capital inglesa.  “E o João Guilherme vai comigo, quem sabe?”, provoca.

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Depois da conquista do ouro na Rio-16, Silvânia foi eleita a atleta do ano pelo CPB (Fernando Maia/Mpix/CPB)


Banco do Brasil corta R$ 16 milhões da CBV em novo acordo de patrocínio
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Daniel Brito

O Banco do Brasil renovou por mais quatro anos o contrato de patrocínio com a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei). O vínculo até após os Jogos de Tóquio-2020 terá o valor de R$ 218 milhões para a instituição financeira do governo federal.

Na média, isso representa R$ 54 milhões anuais no caixa da CBV. Ainda é o maior patrocínio do esporte olímpico nacional, porém, a confederação vai amargar uma queda de R$ 16 milhões por exercício em relação ao contrato que se encerra em 2016.

Até então, a parceria custava, em média, R$ 70 milhões ao banco. Em 2015, por exemplo, a CBV faturou R$ 72 milhões em patrocínios. No entanto, registrou um déficit de R$ 23 milhões no exercício. É uma diferença muito grande para o resultado do ano anterior (2014), que terminou superavitário em R$ 2,1 milhões.

O UOL Esporte havia publicado há dois meses que as estatais diminuiriam o investimento em esporte olímpico após o fim do ciclo olímpico do Rio-2016. No início deste mês, a ECT (Emprasa Brasileira de Correios e Telégrafos) renovou com a CBT (Confederação Brasileira de Tênis) por R$ 4 milhões, um valor 75% inferior ao contrato anterior.

Meu colega Guilherme Costa informou em outubro que o Banco do Brasil pagariam R$ 218 milhões à CBV para renovar por mais um ciclo olímpico, A confirmação do acordo saiu ´na edição da terça-feira, 27, do Diário Oficial da União.


FIBA quer desfiliar CBB e criar nova confederação de basquete no Brasil
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Daniel Brito

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A gestão desastrada de Carlos Nunes na CBB deve provocar desfiliação da CBB à Fiba

A Fiba (Federação Internacional de Basquete) já tem uma proposta para solucionar a grave crise na qual a CBB (Confederação Brasileira de Basquete) está envolta. E é uma medida drástica.

O interventor da Fiba no Brasil , o espanhol José Luiz Saez, levou à direção da entidade na Alemanha a ideia de desfiliar a CBB da Fiba e fundar uma nova confederação brasileira, livre das dívidas.

Desde novembro, no entanto, a CBB vem passando por uma intervenção da Fiba, por falta de cumprimento em acordos financeiros. O que irrita os estrangeiros é a insistência da gestão Nunes de manter-se no poder mesmo diante de um cenário de caos administrativo e financeiro.

De acordo com Fabio Balassiano, meu colega de blog no UOL Esporte, a confederação terminou o exercício de 2015 com R$ 17 milhões de déficit. Isto num cenário de bonança pré-Rio-2016, com recorde de investimento do governo federal e patrocínio do Bradesco (R$ 8.7 milhões). Um dos pontos que está em discussão é quem assumiria o passivo deixado pela desastrosa gestão do gaúcho Carlos Nunes à frente da confederação.

Este não é o primeiro caso de confederação que sofre intervenção e é desfiliada para dar lugar a uma nova entidade, com outro nome, assumir sua função. Há dez anos, ocorreu processo semelhante com a vela. A CBVM (Confederação Brasileira de Vela e Motor) sofreu intervenção do COB, após um período de seis anos, foi desfiliada da ISAF (Federação Internacional da modalidade), foi extinta e aí surgiu a atual CBVela, livre das dívidas, que foram cobradas dos antigos gestores da CBVM.

A CBB é afiliada da Fiba desde 1935, dois após sua fundação no Rio de Janeiro, ainda com o nome de Federação Brasileira de Basketball. É uma das mais antigas entidades esportivas do país ainda em atividade, que vai chegando a um final trágico, tal qual ocorre com as seleções brasileiras nas quadras.