Blog do Daniel Brito

Poucos astros de Hollywood tiveram ano esportivo tão bom quanto Bill Murray
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Daniel Brito

Bill Murray se emociona no título do Chicago Cubs, um de seus times de coração (Ezra Shaw/Getty)

A vitória do Gonzaga sobre o Xavier por 83 a 59, de basquete universitário dos EUA, na noite de domingo, na Califórnia, interrompeu aquela que estava sendo considerada a melhor temporada esportiva da vida do ator Bill Murray. O astro de Hollywood, que completará 66 anos em setembro, é um aficionado por esportes e desfrutou de momentos raros desde o fim do verão de 2016 nos Estados Unidos até o domingo que passou.

Seus fortúnios começaram lá em agosto, e quase que na porta de casa. O Charleston RiverDogs, da pequena cidade de Charleston, Carolina do Sul, conseguiu alcançar os playoffs de uma liga menor, da qual participa, de beisebol, pela primeira vez em mais de uma década. Murray é morador de Charleston, escolheu a cidadezinha à margem do Atlântico, de apenas 120 mil habitantes, para viver e descansar quando não está nos sets de filmagens.

Ele é facilmente encontrado nos restaurantes ou outros locais públicos da cidade, há até sites que contam “onde encontrar Bill Murray em Charleston”. Um dos lugares que mais frequenta é o Joseph P. Riley Jr. Park, estádio de beisebol, com capacidade para seis mil espectadores, onde atua o RiverDogs.

Mas seu vínculo com a agremiação vai além da condição de torcedor do time da cidade. Ele é um dos sócios do time, que costuma ser um dos maiores sacos de pancada das ligas menores de beisebol dos Estados Unidos.

Não na temporada atual, quando chegou aos playoffs, feito bastante comemorado por Bill Murray, que investe sua fortuna, estimada em US$ 140 milhões (R$ 490 milhões) em outras sete equipes de ligas menores de beisebol.

Sua grande felicidade na modalidade nesta temporada veio meses mais tarde, desta vez nas grandes ligas, que em inglês tem a sigla de MLB. O Chicago Cubs, time do qual é torcedor fanático, saiu de uma fila de 108 anos sem títulos. Murray deixava sua Charleston para ir aos jogos no Estado de Illinois e foi figura carimbada na festa do título, pelas ruas de Chicago.

E o tripé de êxitos continuou no basquete, quando o time universitário de Xavier, da cidade de Cincinnati, Ohio, chegou até o NCAA como 11º no ranking e só caiu a um jogo do Final Four, nome dado à grande final, disputado em quadrangular.

Atende pelo nome de Luke Murray o motivo pelo qual o astro de Hollywood torce por Xavier. Seu filho é assistente técnico do time comandado por Chris Mack. A equipe superou no Elite Eight, último estágio antes do Final Four, grandes nomes do basquete universitário dos Estados Unidos, como Florida State e o Arizona, em cuja a casa será disputado quadrangular decisivo. Caiu ante o Gonzaga, segundo melhor ranqueado nesta fase.

Xavier era o azarão nesse confronto direto, por isso, com a queda a um jogo do Final Four, o título dos Cubs na MLB e os playoffs do RiverDogs, dois grandes jornais dos Estados Unidos não hesitaram em cravar: “Este foi o melhor ano esportivo da vida de Bill Murray”, estamparam USA Today e Whasington Post.

Murray torce pelo filho do time de Xavier, basquete universitário, que quase chegou à final da NCAA


Verba do esporte usada na reforma da previdência é alvo de denúncia na PGR
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Parlamentares da oposição ao governo do presidente Michel Temer protocolaram uma denúncia na PGR (Procuradoria Geral da República) de desvio de dinheiro público no Ministério do Esporte para bancar campanha publicitárias pela reforma da previdência. A informação foi divulgada em primeira mão aqui no blog em 3 de janeiro de 2017, o segundo dia útil do ano corrente.

As empresas Agência Nacional de Propaganda e Calia/Y2 Propaganda e Marketing são as responsáveis pela campanha. Juntas, elas venceram licitação da pasta e dividem igualmente um total de R$ 55 milhões. Devem dar publicidade às pautas do Ministério do Esporte, como bolsa atleta ou lei de incentivo ao esporte, apenas para citar alguns programas.

Porém, a Secom (Secretaria de Comunicação) da Presidência da República transferiu R$ 16 milhões, via Termo de Execução Descentralizada (TED), para pagamento da campanha da reforma da Previdência Social e também de “prestação de contas” do governo.

“A transferência de recursos ocorreu apenas para aproveitar saldo contratual com agência de publicidade existente no Ministério do Esporte, procedimento respaldado pela Portaria Conjunta dos Ministérios do Planejamento, da Fazenda e da Controladoria-Geral da União nº 8, de 7 de novembro de 2012”, justificou a Secom, em nota ao blog, em janeiro.

Protocolaram o pedido de investigação criminal por parte da PGR os deputados Pepe Vargas (PT-RS), Alessandro Molon (REDE-RJ), André Figueiredo (PDT-CE), Chico Alencar (PSOL-RJ), Glauber Braga (PSOL-RJ), Ivan Valente (PSOL-SP), Jandira Feghali (PcdoB-RJ) e Weverton Rocha (PDT-MA).

Segundo André Figueiredo, o termo de execução descentralizada, feito pela Secom do Governo Federal, para o Ministério do Esporte, precisaria de prévia autorização legislativa. “Isso por si só já caracteriza crime de responsabilidade, mas é, principalmente, um crime contra as finanças públicas. O secretário-geral da Presidência da República se utilizou do poder que tem para desviar recursos públicos de uma ação voltada ao esporte no Brasil”, disse Figueiredo. “Contra esse mau uso do dinheiro público, estamos solicitando investigação criminal por desvio de finalidade. O dinheiro do Esporte precisa ser usado para divulgar o esporte e não para propagandear mentiras sobre a Previdência”, argumenta Pepe Vargas.


Família de atleta que morreu afogada cobra R$ 1,2 milhão de confederação
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A família Dienifer D'Avila Loreto, que morreu afogada durante treinamento de canoagem, em 2014, cobra na Justiça R$ 1,2 milhão da CBCa (Confederação Brasileira de Canoagem). O acidente ocorreu em fevereiro daquele ano e de acordo com a nota da CBCa à época, Dienifer morreu quando treinava nas águas da Academia Brasileira de Canoagem, no Yacht Club Paulista, que fica na represa Guarapiranga, em São Paulo.

Segundo testemunhas, a atleta teria entrado na água sozinha e sem colete. O jornal Zero Hora, de Porto Alegre, publicou informação em 2014 que o treinador não acompanhava o treinamento, devido a problemas familiares, e o auxiliar, que deveria monitorá-la não a acompanhou no dia da tragédia. A equipe técnica sabia que Dienifer não sabia nadar. Ela passava por um período de adaptação sem colete durante as aulas.Não foi revelado o motivo pelo qual ela caiu da embarcação.

Dienifer Loreto, da seleção brasileira de canoagem, morreu em 2014 ao se afogar em Guarapiranga

Dienifer tinha 15 anos e sua família é do Rio Grande do Sul. Ela integrava a seleção brasileira júnior e morava com os atletas em São Paulo. Em seu currículo, ela teve medalhas como no Campeonato Brasileiro de 2013, disputado na USP.

Dienifer entrou na água para treinar naquela manhã de fevereiro de 2014 quando se afogou. As buscas do Corpo de Bombeiros começaram duraram quase sete horas até encontrar o corpo.

O processo corre no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. O blog procurou o pai da atleta, mas não obteve resposta. No mais recente balanço financeiro publicado pela CBCa em sua página na internet, há um destaque para o processo.

A entidade considera que não caberia a ela a competência neste processo. No entanto, contingenciou R$1,2 milhão, pedidos no processo da família da atleta, e classificou o pagamento como “possível” no balanço financeiro.


Espanhol técnico de Isaquías Queiroz perde autorização de trabalho no país
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O espanhol Jesús Morlán, técnico responsável pela equipe brasileira de canoagem de velocidade, está sem autorização para trabalhar no Brasil. A concessão, que é solicitada anualmente,  lhe foi negada pela coordenadoria geral de imigração do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em Brasília.

O MTE não informou o motivo pelo qual a autorização foi indeferida, podendo ter ocorrido por falta de algum documento ou até problemas no visto. A autorização para trabalhar é diferente do visto de residência no país, o que segundo o COB,  Morlan tem,  portanto não está ilegal no Brasil.

Morlan foi o treinador responsável pelo maior número de medalhas conquistadas pelos atletas nacionais nos Jogos Olímpicos do Rio-2016. Seu pupilo, Isaquias Queiróz, faturou duas pratas e um bronze na Lagoa Rodrigo de Freitas em agosto último. Ninguém levou a bandeira brasileira ao pódio tantas vezes na última edição dos Jogos.

O espanhol é tido como um dos mais talentosos treinadores estrangeiros importados pelo Brasil para preparar a equipe olímpica para a Rio-2016.

Trabalho de Morlan no Brasil rendeu três pódios ao país na Rio-16 (Zanone fraissat/Folhapress)

Recentemente, Morlan foi submetido a uma cirurgia no cérebro, após ter sido diagnosticado com um tumor na região. Recupera-se gradativamente, e mantinha-se acompanhando os canoístas brasileiros nos treinamentos em Lagoa Santa, Minas Gerais, com auxílio de treinadores nacionais.

Ele renovou, logo após a Rio-16, seu vínculo com a canoagem brasileira até Tóquio-2020, com recursos do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), da lei Piva, mas o valor não foi revelado pelo comitê.

“O COB já recorreu da decisão [do Ministério]. Enquanto pendente a análise do recurso, o estrangeiro não está irregular no Brasil. O COB e a Confederação Brasileira de Canoagem cumprirão todas as obrigações legais para contar com o treinador Jesus Morlán em seu quadro de colaboradores. Jesus Morlan vem desempenhando sua função com extrema qualidade há mais de quatro anos no Brasil e vem prestando um serviço inestimável para o desenvolvimento do esporte brasileiro”,  informou o COB, por meio de sua assessoria de imprensa.


Jamaicanos fazem vaquinha na internet para repetir “abaixo de zero” em 2018
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Jamaica disputa os Jogos de Inverno desde Calgary-88 (Streeter Lecka/Getty Images)

O time da Jamaica de bobsled recorreu a doações na internet para fazer valer a tradição, que ora completa três décadas, de disputas dos Jogos Olímpicos de Inverno. Um crowd funding, nome em inglês para financiamento coletivo, tenta arrecadar desde o ano passado US$ 30 mil ( R$ 92 mil) para que os jamaicanos tenham a oportunidade de contratar um técnico e possam disputar os Jogos de PyeongChang-2018, na Coreia do Sul.

Em quase cinco meses de campanha, no entanto, eles não passaram de R$ 20 mil (pouco mais de US$ 6 mil).

Desde Calgary-1988 que a Jamaica participa dos Jogos de Inverno. Uma presença insólita eternizada no cinema no filme “Jamaica Abaixo de Zero”, produzido pelos estúdios Disney em 1993, dirigida por Jon Turteltaub, o mesmo de “Enquanto Você Dormia”, com Sandra Bullock, e o mais recente “A Lenda do Tesouro Perdido”, com Nicolas Cage.

O filme sobre os jamaicanos do bobsled custou, à época, US$ 14 milhões e arrecadou US$ 154 milhões, e romanceou a aventura dos caribenhos na inédita disputa de uma prova dos Jogos Olímpicos de Inverno. Como todos sabem, neve é o que menos tem na Jamaica.

Depois daquele episódio, a Jamaica disputou Albertville-92, Lillehammer-94 e Sochi-2014. Participações que inspiraram outros países tropicais a se aventurar nos esportes do gelo e da neve. O próprio Brasil aderiu as disputas em Albertville-92, na edição seguinte à estreia dos jamaicanos, porém um ano antes da comédia dirigida por Turteltaub.

Para a última edição dos Jogos de Inverno, Jamaica contou com o investimento de uma gigante coreana do ramo de telefones celulares e eletrônicos. Desta feita, contudo, a empresa coreana não se manifestou, embora os Jogos sejam na Coreia do Sul.

Na página do financiamento coletivo na internet, os textos dão conta de que a Jamaica teria até condições de brigar por uma medalha no bobsled em PyeongChang-18, precisa somente contratar um novo John Candy – que no “Jamaica Abaixo de Zero” interpretou um técnico bastardo que aceitou treinar os jamaicanos, e é o protagonista do filme.

Camdy morreu no ano seguinte ao lançamento da produção da Disney. E o curioso é que esta figura de um treinador para os jamaicanos nunca existiu, foi apenas uma licença poética de Turteltaulb para romancear ainda mais a história.

Contratando ou não um novo técnico, o fato é que John Candy sempre fará falta. Seja no time jamaicano de bobsled, seja nas comédias.

Jamaicanos buscam financiar um treinador, que no cinema foi interpretado por John Candy


Romário vai relatar em livro pressão da CBF sobre parlamentares em Brasília
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Romário prepara um livro, em primeira pessoa, contando a influência da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) sobre os parlamentares no Congresso Nacional. Ele promete relatar como a entidade que controla o futebol nacional conseguiu comemorar, agora em 2016, o “tetra” em CPIs contra ela em Brasília.

Senador pelo PSB do Rio de Janeiro, Romário presidiu a CPI do Futebol no Senado, que começou em junho de 2015, após a prisão de José Maria Marin, e outros sete dirigentes do continente, na Suíça. Até dezembro de 2016.

A comissão terminou em pizza. O relator, Romero Jucá (PMDB-RR), que hoje está afundado em denúncias na operação Lava Jato,  conseguiu um “grande acordo” e livrou a cartolagem da CBF de receber o pedido de ser indicada após as investigações da CPI. As aspas em “grande acordo” vão para o próprio Jucá, em áudio com Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, sobre como estancar a Lava Jato.

O tema futebol, diferentemente da Lava Jato, e para surpresa de ninguém, não é levado tão a sério dentro do Congresso Nacional pelos parlamentares. Talvez por isso, a CBF sempre teve bastante mobilidade, especialmente no baixo clero. Basta observar que na composição dessa CPI do Futebol que Romário presidiu, a maioria era composta por parlamentares de Estados cujo futebol depende das migalhas oferecidas pela CBF, como Piauí (Ciro Nogueira, PP-PI), Amazonas (Omar Aziz, PSD-AM), Amapá (David Alcolumbre, DEM-AP), Maranhão (João Alberto, PMDB-MA), além de Roraima, de Jucá (PMDB-RR).

Quando a equipe de investigadores da CPI começou a aprofundar e a citar nomes do submundo do futbeol, como do alagoano João Feijó, e de Angelo Verospi, a bancada da CBF comparecia em grande número às sessões para derrubar requerimentos. Romário promete, em seu livro, contar como a confederação atuava para frear as investigações.

Desde os tempos de deputado federal, cadeira que ocupou na legislatura passada (2011-2014), Romário alertava sobre a influência da CBF nos parlamentares. Depois que deixou a Câmara, Romário não deixou de atentar para “prestígio” da confederação na Câmara Federal. Basta apenas lembrar que houve também uma mal sucedida CPI do Futebol naquela Casa em 2016, que durou apenas seis meses, sem grandes avanços. Encerrada tão logo Rodrigo Maia (DEM-RJ) assumiu a cadeira de presidente da Câmara, deixada por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no início do segundo semestre de 2016.

A CPI teve apenas seis meses de trabalho, sem novidades ou grandes notícias, e se encerrou com um relatório tão chapa branca quanto o de Romero Jucá no Senado, apresentado pelo relator Fernando Monteiro (PP-PE). Com a diferença que na Câmara não houve um relatório alternativo, como aconteceu no Senado, em que Romário, ao lado de Randolfe Rodrigues (Rede-AP), distribuíram para imprensa, MPF (Ministério Público Federal) e outros órgãos de fiscalização, um relatório alternativo com mais de 1,2 mil páginas no qual descreve todos os achados pela equipe de investigadores do Senado, que Romero Jucá ignorou em sua conclusão.

Com essas duas CPIs de 2016, a CBF comemorou o tetra em Brasília, pois já havia triunfado em outras duas comissões no início deste século, quando ainda era presidida por Ricardo Teixeira, sendo uma no Senado e outra na Câmara. Embora tenham sido transformadas em livro e amplamente divulgadas, teve efeito inofensivo para a estrutura da CBF à época.

A promessa de Romário é de que seu livro-bomba seja publicado ainda neste ano, provavelmente no segundo semestre.


Ela terminou Pequim-2008 em 6º mas descobriu no Facebook que ganhou bronze
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Daniel Brito

Americana Chaunte Lowe ganhou bronze em Pequim-08 após rivais serem flagradas no doping

Oito anos depois de disputar os Jogos Olímpicos de Pequim-2008, em casa, passeando pelo facebook, Chaunte Howard Lowe recebeu os parabéns pela medalha de bronze na prova do salto em altura. Veio de uma amiga e rival da Alemanha. Ela ignorou.

Chaunte guardava uma certa mágoa por sua participação em Pequim-2008. Fora vice-campeã mundial em 2005, na Finlândia, era uma das favoritas ao pódio na Olimpíada da China. Mas saltou 1,99m e terminou na sexta colocação. Por isso ignorou a mensagem da alemâ em seu Facebook, oito anos mais tarde, um dia qualquer de 2016.

Minutos depois, outra concorrente também parabenizou Chaunte pelo bronze em Pequim-2008. Foi aí que leu nas redes sociais que todas as três competidoras que terminaram à frente dela na prova de salto em altura naqueles Jogos Olímpicos. foram flagradas em exames antidoping feitos em 2016.

Por causa do 6º lugar em Pequim, Chaunte enfrentou problemas financeiros naquele ano (Getty)

A medalha de bronze caiu no seu colo, na sala de casa, enquanto esperava o marido buscar as filhas na escola, em alguma cidadezinha no interior do Estado da Flórida, no sul dos Estados Unidos. “Eu gritei pela casa, pulei, não sabia o que fazer, a quem contar”, relembra Chaunte.

O caso dela é idêntico ao da equipe brasileira feminina de revezamento 4x100m do atletismo também em Pequim-2008. Por causa do doping da equipe da Rússia, campeã da prova, as brasileiras pularam da quarta colocação para a terceira. Neste mês de março, o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) deve promover uma cerimônia de pódio para elas.

Até o astro maior do atletismo teve que passar pelo constrangimento de devolver uma medalha. Também em Pequim-08, igualmente em teste de doping feito em 2016, descobriu-se que um de seus companheiros no revezamento 4x100m, Nesta Caster, fez uso de substância que melhora a performance esportiva e, portanto, é proibida. A equipe da Jamaica perdeu aquele ouro e Bolt teve de mandar de volta a medalha para a Suíça, onde fica a sede do COI (Comitê Olímpico Internacional).  Agora, sua coleção de ouros conta com “apenas” oito medalhas e não mais nove.

No caso específico de Chaunte, ela ainda não recebeu seu bronze no salto em altura de Pequim-2008. Mas teve bastante prejuízo por causa do doping das russas e ucranianas que foram desclassificadas. “A gente teve que entregar a casa, trocar de aluguel, foi um período difícil, porque nos faltou dinheiro. Se eu tivesse levado aquela medalha, teria recebido bônus por ela, não teríamos que ter passado por aquela situação”, conta Chaunte.

“Agora eu sinto um misto de alegria, raiva, euforia, tristeza”, resumiu ao repórter Eric Adelson, do Yahoo Sports, dos Estados Unidos.


CBDA recorre de multa imposta pelo TCU por má gestão, mas tem nova derrota
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A CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) contestou a decisão do TCU (Tribunal de Contas da União), de dezembro passado, que aplicou uma multa de R$ 20 mil no presidente da entidade, Coaracy Nunes, 78. O tribunal encontrou irregularidades em licitações promovidas pela confederação com dinheiro público.

Na semana que passou, entrou na pauta do plenário do TCU o embargo de declaração da CBDA, um instrumento quando uma das partes entende que houve alguma omissão ou contradição na decisão.

O TCU explicou que os dirigentes da CBDA foram multados, em acórdão de dezembro de 2016, por três motivos: autorização de despesas em valores superiores ao permitido pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro); utilização de recibos para prestação de contas dessas despesas sem identificação dos beneficiários, bem como à aprovação de gastos de produtos vedados com o uso desta verba; e ausência de conferência e acompanhamento do andamento dos contratos custeados com recursos federais.

O ministro relator do caso foi o paraibano Vital do Rêgo, conhecido em seu Estado de origem como Vitalzinho, citado repetidas vezes em delações na Operação Lava Jato.

Os advogados da CBDA apontaram diversas omissões no relatório que gerou o voto de Vitalzinho. O ministro aceitou parcialmente os argumentos do embargo de declaração da confederação, no entanto, sem alterar a decisão anterior, de dezembro, que aplica penalidades em Coaracy Nunes e seu diretor financeiro na CBDA, Sergio Ribeiro Lins de Alvarenga.

Esse não é o único problema na CBDA atualmente.

Até o ano passado, a confederação recebeu R$ 18 milhões em patrocínio dos Correios. Agora, fecharam patrocínio pelos próximos dois anos (2017 e 2018) no valor total de R$ 11,4 milhões, o que dá R$ 5,35 milhões por exercício.

Em outubro, uma decisão judicial afastou parte da diretoria da instituição esportiva, incluindo Coaracy Nunes, que ocupa o cargo desde 1988, Sérgio Alvarenga, Ricardo de Moura, coordenador de Natação, e Ricardo Cabral, coordenador de polo aquático.

O Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo os denunciou por fraude em licitação, superfaturamento e desvio de dinheiro público. O esquema foi descoberto pela operação Águas Claras e, segundo o MPF, pode ter causado um dano superior a R$ 1,2 milhão com verba pública que seria empregada na aquisição de equipamentos e materiais para a preparação de atletas de maratona aquática, polo aquático e nado sincronizado para a Rio-2016.
Ainda em novembro de 2016, eles foram reconduzidos aos seus cargos.

No próximo dia 18 de março será realizada eleição para presidente da CBDA. Será a primeira vez em três décadas que Coaracy não participa. Além de todos os problemas administrativos, políticos e financeiros que enfrenta na confederação, ele está com problemas de saúde e já anunciou sua saída.


“Ainda estou meio perdido”, diz Bernardinho sobre saída da seleção de vôlei
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Daniel Brito

O bicampeão olímpico Bernardinho disse que ainda está “um pouco perdido” desde que anunciou sua saída do cargo de treinador da seleção masculina de vôlei. Ele despediu-se da função após comandar o time nacional nos Jogos Olímpicos do Rio-2016 na conquista do terceiro ouro olímpico da história da modalidade no país entre os homens.

Atualmente, comanda o Rio de Janeiro, time que disputa a Superliga feminina. Em entrevista à repórter Maíra Nunes, do Correio Braziliense, revelou que já recebeu diversas propostas desde que largou a seleção. Mas não tem um destino certo.

“Confesso que estou ainda um pouco perdido. É sofrido para mim. Todas as pessoas que eu encontro na rua me agradecem, mas dizem que estão chateadas pela minha saída. É uma espécie de luto, mas faz parte”.

(Getty)

“Eu estou em um momento diferente. Quanto ao meu futuro, a gente tem um time [o Rio de Janeiro, que disputa a Superliga feminina] para cuidar e um projeto para continuar. Também quero continuar estudando, aprendendo e inspirando pessoas. Eu tive alguns convites de fora com a notícia da minha saída da Seleção, muito sedutores financeiramente, mas que não me interessam. Não vou deixar uma grande equipe como é a Seleção Brasileira para treinar um outro grande time na Europa. Que sentido tem? Se fosse assim, continuaria na Seleção. Só a possibilidade de treinar um time universitário nos Estados Unidos me interessou mais, porque teria a questão de juntar educação, área acadêmica e esporte. Pelas meninas, filhas, poderia ser uma oportunidade interessante também.

A repórter também perguntou a Bernardinho sua opinião sobre o legado olímpico deixado pela Rio-2016 – assunto sobre o qual o UOL Esporte publicou um vasto matéria e você pode ler aqui.

Bernardinho disse: “Nosso país não tem um patamar de renda que sustente grandes arenas. Nem o futebol, quem dirá o esporte olímpico. O grande legado que as pessoas não sabem entender e explorar é que os nossos jovens não têm perspectiva nem esperança. Por isso que o legado são as três medalhas do Isaquias ou o ouro da Rafaela Silva. Quem diria que a menina que saiu da Cidade de Deus, tão violenta e tudo, conseguiria essa façanha. Ela mostra que é possível, com disciplina, planejamento e investimento correto. É o Serginho com quatro medalhas olímpicas saindo da periferia de São Paulo. Esse é o verdadeiro legado. As obras, infelizmente, são excessivas para um país que não tem condições de mantê-las. Então, tinha que ser tudo temporário”.

Leia a íntegra da entrevista de Bernardinho a Maíra Nunes do Correio Braziliense.

 


O que aconteceu aos boxeadores acusados de assédio sexual na Rio-2016?
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Jonas Junias foi porta-bandeira da Namíbia na abertura da Rio-2016

Jonas Junias estava entre as milhares de pessoas na praia de Copacabana na virada do ano. Postou fotos sorridentes em seus perfis nas redes sociais. Ele chegou da Namíbia ainda em agosto, para disputar os Jogos Olímpicos do Rio-2016, e se meteu em uma grande encrenca. Agora aguarda para ser julgado no Brasil.

Ele é um dos dois boxeadores acusados de tentativa de estupro a camareiras que trabalhavam na vila dos atletas nos Jogos Olímpicos. Além de Junias, o outro suspeito é o marroquino Hassan Saada. Em momentos diferentes, eles teriam assediado as funcionárias em serviço, quando estas entraram em seus apartamentos para fazer a arrumação.

Até hoje, aguardam julgamento.

A imprensa da Namíbia acompanha de perto o caso e ele é frequentemente citado em tweets. Ele foi o porta-bandeira namíbio na abertura. Em seu depoimento à polícia, a camareira disse que Junias a abraçou por trás e a beijou. Ele foi detido no mesmo dia, 8 de agosto, e chegou a ser preso no complexo penitenciário de Bangu, na Zona Oeste do Rio.

Junias passou o final de ano no Rio de Janeiro, à espera de julgamento

Foi solto na manhã em que competiria- e perdeu logo na primeira luta. Ficou no Brasil mais alguns meses após o fim dos Jogos Olímpicos, retornou à Namíbia e depois voltou ao Brasil em dezembro para seu julgamento. Foi aí que conseguiu aproveitar a tradicional queima de fogos em Copacabana. Ele pode ser condenado a dois anos de prisão.

Já o marroquino Hassan Saada foi detido em 5 de agosto, dia da abertura da Rio-2016. Ele é acusado de, três dias antes, ter chamado duas camareiras ao seu quarto pedindo uma informação. Quando elas o encontraram, ele as teria atacado: apertando as pernas de uma e os seios da outra. O relato foi feito pela polícia à imprensa na época do incidente.

Saada (à dir.) no dia que chegou à vila dos atletas da Rio-2016

Saada também foi preso, não conseguiu lutar (perdeu por W.O.) e permanece no Brasil desde então. Nas suas redes sociais, tenta engajar os amigos com campanhas em seu favor. “Eu nunca encostei  nelas”, disse à imprensa marroquina Saada. Seu julgamento foi adiado quatro vezes. Se for enquadrado no crime de tentativa de estupro, pode ser condenado até a 12 anos de detenção.

Hassan Saada posta fotos de camisetas com seu nome nas redes sociais

 

Tags : Rio-2016