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Férias
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Daniel Brito

O autor do blog entra em férias a partir da segunda-feira, 26.

As atividades neste espaço serão retomadas em 17 de outubro.

Até lá.

 

 


Punição à Rússia causa constrangimento entre paraolímpicos e COI
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Daniel Brito

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Ferve em fogo brando a longa relação entre COI (Comitê Olímpico Internacional) e IPC (Comitê Paraolímpico Internacional, na sigla em inglês), desde que as duas entidades deram destinos diferentes à Rússia, acusada de manter um largo esquema de doping com apoio do governo. Enquanto os olímpicos terceirizaram a responsabilidade para as federações internacionais decidirem sobre a  participação de russos nas Olimpíadas-2016, os paraolímpicos baniram completamente da Rio-16 a delegação do país. E mais: os excluíram dos Jogos de inverno de PyeongChang-2018.

Aos olhos da crítica internacional, ficou clara uma posição de antagonismo dos dois parcerios. O COI afrouxou as rédeas que o IPC manteve curta no relacionamento com a Rússia, uma potência não só esportiva como geopolítica. Os elogios foram para o IPC e as críticas, ao COI.

Criou-se um constrangimento

Em vez de apagar a fogueira da vaidade, o COI borrifou o fogo com querosene: anunciou que o alemão Thomas Bach, presidente do Comitê Olímpico Internacional, não virá ao Rio para a cerimônia de abertura dos Jogos Paraolímpicos. Desde Seul-1988, o presidente do COI prestigia a inauguração das Paraolimpíadas.

A justificativa de Bach é de que participará do funeral de Walter Scheel, que morreu aos 97 anos em 24 de agosto – portanto, há duas semanas -, em Berlim. Scheel foi presidente da Alemanha Oriental de 1974 a 1979. Em substituição a Bach virá o sul-africano Sam Ramsamy, membro do COI há 21 anos.

“Lamentamos que o presidente [Thomas Bach] não possa vir, mas entendemos que houve um imprevisto na Europa. Estivemos em contato com ele desde que os Jogos Olímpicos terminaram e esperamos vê-lo no Brasil o mais cedo”, disse Mario Andrada, diretor de comunicação do Comitê Rio 2016.

Craig Spence, diretor de comunicação do IPC, garantiu em entrevista ao blog que não há atrito polítivo entre as organizações, e que a decisão da entidade para qual atua foi avalizada pelo TAS (Tribunal Arbitral do Esporte). “O TAS disse que, embora as duas entidades tratem de esporte, é compreensível a decisão de cada uma delas, porque atendem às suas respectivas particularidades. Não há  conflito algum em nossas decisões”, disse Spence ao blog.

O desgaste políticos entre ambas as partes chega em um momento importante do relacionamento entre COI e IPC. Em junho, antes de toda a polêmica, as duas entidades deram início a um acordo para que Jogos Olímpicos e Paraolímpicos continuem sendo realizados na mesma cidade, como ocorre desde Seul-1988, com um evento seguido do outro. Atualmente, o contrato entre eles está confirmado somente até Tóquio-2020. Em junho, foi assinado um memorando de entendimento que define os princípios para um novo acordo de longo prazo entre as organizações até os Jogos de 2032. Mas pouco está decidido.

É improvável que, por causa da Rússia, as duas partes venham a desfazer negócio, contudo, novas bases desse acordo serão feitas sob o som das críticas contra o COI. E isso pode causar alguns prejuízos, principalmente financeiro, aos Jogos Paraolímpicos, que não têm a mesma força comercial dos Olímpicos, para as edições posteriores a Tóquio-2020.


Mais de 70% dos atletas paraolímpicos dizem ter sofrido com preconceito
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Daniel Brito

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Flavio Reitz é amputado da perna esquerda e disputa salto em altura (Marcio Rodrigues/MPIX/CPB)

Uma pesquisa inédita mostrou que 71% dos atletas paraolímpicos do Brasil já sentiram-se alvo de preconceito social. E grande parte ocorre nas ruas. Mulheres de 20 a 29 anos nas regiões Norte e Centro-Oeste foram as que mais se queixaram de rejeição. O resultado dessa consulta vem a público às vésperas do maior evento esportivo para pessoa com deficiência já realizado na América Latina. Em 7 de setembro será realizada a cerimônia de abertura dos Jogos Paraolímpicos do Rio-2016, no Maracanã.

A apuração foi realizada pelo Instituto DataSenado, em parceria com o gabinete do senador Romário (PSB-RJ), relator do Estatuto da Pessoa com Deficiência no Senado, e apoio do CPB (Comitê Paraolímpico Brasileiro).

O DataSenado entrevistou por telefone 888 paratletas de todo o país. A margem de erro da pesquisa é de 3%, e o nível de confiança, 95%. A base de dados com o cadastro dos paratletas foi cedida pelo CPB, parceiro na iniciativa da pesquisa Entre os consultados, 12% participarão dos Jogos Paraolímpicos do Rio-2016.

Preconceito é um tema recorrente na promoção do evento que se inicia nesta quarta-feira, 7. Em 2015, o Comitê Organizador lançou uma campanha em que atletas com alguma deficiência eram gravados praticando exercícios em academias de ginástica do país entre pessoas que não possuem deficiência. A reação dessas pessoas, que não sabiam que estavam sendo filmadas, é de espanto com a capacidade física e o porte atlético dos paraolímpicos.

Preconceito dos brasileiros

No início de 2016, ante à baixa procura de ingressos pelo torcedor brasileiro para os Jogos, o diretor de comunicação do Comitê, Mario Andrada, atribuiu a “algum preconceito” da população brasileira a atleta com deficiência. Em maio deste ano, eu conversei com o presidente do IPC, Sir Philip Craven sobre o tema. Que ponderou: “Antes dos Jogos de Londres-2012, uma pesquisa do Comitê Organizador local registrou que havia uma apreensão quanto aos Jogos Paraolímpicos porque muitos não estavam familiarizados com pessoas com deficiência praticando esporte. O Comitê de Londres-12 fez um grande trabalho de transformar esta negatividade em algo positivo. Eles usaram o esporte como uma ferramenta para mudar a percepção sobre o que uma pessoa com deficiência pode alcançar. Por este motivo os Jogos Paraolímpicos são o maior evento esportivo no mundo para inclusão social”.

Os nadadores Daniel Dias e André Brasil, que juntos acumularam 17 medalhas de ouro em Jogos Paraolímpicos, incluem com frequência em suas entrevistas discursos sobre o preconceito. “A pessoa com deficiência pode ser um campeão na vida, independentemente do caminho que ele escolher, seja o esporte ou fora dele”, costuma dizer Daniel.

Recomendações à imprensa

A pesquisa do DataSenado mostra que apenas 2% dos atletas paraolímpicos relataram sofrer discriminação em ambiente esportivo. E 7% apontaram os veículos de comunicação como responsáveis.

No material que distribui à imprensa que cobre os eventos paraolímpicos, o CPB faz recomendações aos jornalistas de como abordar atletas com algum tipo de deficiência. Como, por exemplo, não hesitar em perguntar sobre como o atleta se tornou deficiente, e que o esporte paraolímpico é de alto rendimento para pessoas com deficiência.

A maioria dos pesquisados (44%) considerou que a realização da Paraolimpíada no Rio fez aumentar os investimentos no esporte paraolímpico no Brasil. Em contrapartida, também 44% avaliaram que, passado o evento, os investimentos vão diminuir. Além da queixa de pouco espaço na mídia, falta de investimentos, dificuldade de patrocínio, número insuficiente de técnicos e de ginásios devidamente apropriados foram as principais dificuldades apontadas pelos paratletas.


Parte de delegação paraolímpica do Brasil é vítima de violência no trânsito
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Daniel Brito

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Alexandre Giuriato, do rúgbi, sofreu dois acidentes de trânsito

Cinquenta atletas da delegação brasileira paraolímpica carregam em sua história de vida um capítulo de um grave problema social do país. Eles foram vítimas de acidente de trânsito, seja batida de carro ou ônibus, ocorrência com motocicleta ou até mesmo atropelamento. Isso representa mais de 17% do time nacional que disputará os Jogos do Rio-2016 a partir desta quarta-feira, dia 7. O Brasil conta com 283 atletas nas Paraolimpíadas.

A delegação paraolímpica nacional tem 17 vítimas de acidentes com carros ou ônibus, 14 de atropelamento e 19 de moto. Nenhum outro tipo de acidente, seja de trabalho ou com armas de fogo, ou até mesmo vítimas de assalto, possui tamanha representatividade na equipe brasileira na Rio-2016.

Casos como o da pernambucana Natália Mayara, 22, que foi atropelada por um ônibus que subiu a calçada em alta velocidade e ainda a arrastou por alguns metros. Ela tinha apenas dois anos e precisou amputar as duas pernas. Hoje é um talento do tênis em cadeira de rodas do Brasil. Há também o do campineiro Alexandre Giuriato, 34, que foi vítima de dois acidentes de trânsito que causaram lesões graves na medula e no braço esquerdo. Em 2015, ele foi eleito o melhor jogador de rúgbi em cadeira de rodas do Brasil. Também estará na Rio-16.

No vôlei sentado, por exemplo, o capitão da equipe masculina, Renato Leite, era motoboy até 2002 quando foi abalroado por um carro. Passou um mês internado no hospital em São Paulo e precisou amputar a perna direita. Descobriu o esporte como forma de reabilitação física e motora. Hoje, acumula duas medalhas de ouro nos Jogos Parapan-Americanos (Rio-07 e Toronto-15) e uma prata do Mundial em 2014. Porém, ganhou notoriedade em recente polêmica na qual “emprestou” sua prótese para que o ator Paulo Vilhena posasse para uma foto-montagem em uma revista de moda com o intuito de divulgar o esporte paraolímpico.

No time de vôlei sentado, dos 24 convocados, 16 foram vítimas de acidente automobilístico. É a modalidade com maior quantidade de registro desta natureza na delegação verde e amarela.

De acordo com relatório divulgado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) em outubro do ano passado, apenas em 2013, mais de 41 mil pessoas perderam a vida nas estradas e ruas brasileiras. Desde 2009, o número de acidentes de trânsito no país deu um salto de 19 por grupo de 100 mil habitantes para 23,4 por 100 mil habitantes, o maior registro na América do Sul.


Por que o revezamento da tocha paraolímpica não vai ao encontro do povo?
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Daniel Brito

A chama paraolímpica começa a circular hoje em Brasília, a partir das 9h30. Até o revezamento da tocha desembarcar no Rio em 6 de setembro, véspera da cerimônia de abertura, o fogo paraolímpico terá cruzado com muito menos gente do que o olímpico. E isso não tem relação com distâncias percorridas. Mas pelos locais por onde passará.

O Comitê Organizador dos Jogos-2016 tomou a decisão de concentrar o revezamento da tocha em centros de reabilitação e/ou entidades que assistem a pessoas com algum grau de deficiência. No Distrito Federal, por exemplo, ponto de partida da chama, o governo local anunciou: “O Parque da Cidade é o local mais indicado para quem quer ver de perto o revezamento, já que a maior parte dos outros locais continuará com as atividades ocorrendo normalmente”.

Festa em estacionamento do parque

Não haverá desfile nas ruas, não haverá contato com a população, que poderia até servir como uma forma de divulgação dos Jogos Paraolímpicos, que ainda se esforça para bater a meta de vender pelo menos dois milhões de ingressos para as disputas a partir de 7 de setembro, no Rio. A única oportunidade de proximidade entre andantes ou videntes com a tocha paraolímpica será no ponto de partida do revezamento, que no caso de Brasília, será em um estacionamento do Parque da Cidade.

Bem diferente da tocha olímpica, que desceu de rapel, canoa havaiana, até cadeira de rodas dentro de uma piscina de água natural, percorrendo intermináveis 130 quilômetros dentro do quadrilátero federativo, em 3 de maio.

Ou seja, em vez de levar a tocha paraolímpica a pontos turísticos, até como uma prova de que há um mínimo de acessibilidade para que as pessoas com deficiência possam usufruir de todos os espaços da cidade, o Comitê Rio-2016 levou a chama para locais nos quais a maioria já tem alguma relação com o paraolimpismo e o esporte para pessoas com deficiência, que são as instituições de atendimento a esta parcela da sociedade e aos centros de reabilitação.

Evitando pontos turísticos em todas as cidades

Além do Distrito Federal, o símbolo dos Jogos Paraolímpicos vai passar por Belém do Pará, Natal, no Rio Grande do Norte, Joinville, Santa Catarina, São Paulo, e, por fim, Rio de Janeiro, quando, aí sim, circulará pelos pontos mais famosos da cidade. As demais cidades sedes do revezamento têm roteiros semelhantes aos de Brasília – evitando pontos turísticos

Na quarta-feira, 31, a Folha de S.Paulo publicou o manifesto com críticas ao trajeto. ''Nossa preocupação é com o fortalecimento do conceito de inclusão, que se contrapõe a essa ideia do revezamento interno em instituições de atendimento –o que causaria associação direta da imagem de 9 milhões de paulistas com algum tipo de deficiência à doença e ao assistencialismo''. A carta é assinada por representantes da secretaria Estadual de Direito às Pessoa com Deficiência e do Comitê Paraolímpico Brasileiro.

O Rio-2016 reconhece que há poucas oportunidades nos trajetos do revezamento paraolímpico para passagens em locais turísticos, ou icônicos, como citou Mario Andrada, diretor de comunicação dos Jogos-2016. Muito pelo período do ano em que será realizado o evento, parte, também, pelo formato. “Neste época já não há a mesma flexibilidade de promover alterações no trânsito. Além disso, a tocha paraolímpica tem uma pegada um pouco mais formal. Mas em Belém, Natal e São Paulo, nós estamos tentando criar alternativas para levar a tocha a locais icônicos para termos oportunidade de fotos”, explicou Andrada.

Questionado se o percurso do revezamento evita o contato com o público nas ruas por motivos de segurança, o diretor da Rio-2016 disse que não há qualquer relação com este fato, e o esquema de escolta e proteção da tocha e dos condutores mantém-se tal qual ocorrera no revezamento olímpico.

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Yohansson Nascimento acendeu a tocha há uma semana (Tomás Faquini/CPB/Divulgação)


Como os EUA podem mudar a história dos Jogos Paraolímpicos
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Daniel Brito

Archer Matt Stutzman of the U.S. prepares to shoot in the London Paralympics. Born without arms, Stutzman uses a release trigger strapped to his shoulder to fire.

Matt Stutzman, nasceu sem os braços, estará na Rio-2016

Os Jogos do Rio-2016 estão sendo tratados como um dos momentos mais importantes da história do esporte para pessoas com deficiência. E, por enquanto, não tem a ver com o desempenho dos atletas, mas com a cobertura que a imprensa americana dará ao evento.

A rede de TV dos Estados Unidos NBC promete entregar 70 horas de exibição das disputas, que iniciam-se em 7 de setembro, no Rio. É um recorde de transmissão de esporte paraolímpico no país. A popularização do paraolimpismo nos Estados Unidos está diretamente ligada ao desenvolvimento e aumento da consciência das pessoas quanto ao movimento.

O Brasil é um bom exemplo de como a TV influenciou na formação e descobrimento de atletas. Um dos maiores medalhistas paraolímpicos do Brasil, o nadador Daniel Dias, dono de oito ouros em Jogos, só descobriu o esporte após assistir a transmissão do Sportv dos Jogos Paraolímpicos de Atenas-2004. Até então, sofria bullying na escola por ter má formação congênita dos quatro membros, pois não sabia que existia esporte de alto rendimento para pessoas com deficiência.

Em Londres-2012, enquanto os ingleses celebravam a maior edição de Jogos Paraolímpicos já realizados, com estádios tomado por 80 mil pessoas para assistir provas de atletismo, os Estados Unidos exibiram apenas cinco horas de competição. Os 12 dias de competição tiveram apenas cinco horas na NBC em 2012, somando todos os programas e compactos e reprises transmitidas neste período.

Não por acaso, o desempenho dos atletas americanos está abaixo do costuma ser nos Jogos Olímpicos. Eles terminaram na sexta colocação, com 31 medalhas de ouro, seguidos pelo Brasil, em sétimo, com 21 ouros. Desde Atlanta-1996, os Estados Unidos não terminam os Jogos Paraolímpicos no topo do quadro de medalhas.

Um acordo fechado entre NBC e IPC (Comitê Paraolímpico Internacional, na sigla em inglês) para transmissão dos Jogos Paraolímpicos de Sochi-2014 e do Rio-2016 foi celebrado como um grande marco. Os valores do acordo, no entanto, foram mantidos em sigilo. Já nas Olimpíadas de inverno, de dois anos atrás, na Rússia, a NBC lançou ao ar mais de 55 horas de programas sobre os Jogos.

É claro que a rede de TV dos Estados Unidos ainda está bem longe de repetir a cobertura que faz dos esportes olímpicos. Sua programação inclui apenas um único programa de três horas de duração na TV aberta, no último dia de competição (18), e o restante será exibido no seu canal a cabo, que costuma exibir esportes como pescaria, hóquei no gelo e ciclismo. Porém, eles confiam na crescente audiência das transmissões em streaming (via internet). Por isso, o site do USOC (Comitê Olímpico dos Estados Unidos, na sigla em inglês), que gere o desporto paraolímpico nos EUA,deve disponibilizar as transmissões da NBC.

Com este acordo, o IPC espera bater o recorde de audiência dos Jogos de Londres-2012, quando acumulou 3.8 bilhões de espectadores.


COB gastou R$ 21 milhões além do que recebeu da Lei Piva em 2015
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Daniel Brito

O COB (Comitê Olímpico do Brasil) recebeu R$ 244 milhões em 2015 da premiação das loterias federais, por intermédio da Lei Piva. A informação consta no “Demonstrativa de Aplicação dos Recursos” da lei, publicada na página do comitê em maio. Este montante representa 11% além do que a entidade angariou da mesma fonte em 2014.

Trata-se de um recorde de arrecadação, uma vez que o comitê estimou que receberia “apenas” R$ 202 milhões em 2015.
A entidade, no entanto, gastou R$ 244 milhões desta mesma origem, de acordo com o “Demonstrativo”. Ou seja, uma disparidade superior a R$ 21 milhões.

É importante ressaltar que em 2014, embora tenha recebido menos (arrecadou R$ 218 milhões), conseguiu acumular R$ 55 milhões no fundo de reserva.

Muito dessa diferença apontada no ''Demonstrativo'' de 2015 se deve ao investimento direto da Lei Piva nas confederações, que saltou de R$ 74 milhões em 2014 para R$ 165 milhões no exercício seguinte. O ano passado foi marcado pela realização dos Jogos Pan-Americanos, em Toronto, no qual o Brasil terminou na terceira colocação pelo critério de total de medalhas (141) e total de ouros (42), atrás dos Estados Unidos e do anfitrião Canadá.

O blog procurou o COB há 10 dias para explicações, mas não obteve respostas para os questionamentos. A entidade alegou que não conseguira atender à demanda porque a equipe já está toda voltada para a operação nos Jogos Olímpicos do Rio-2016.

Manutenção da entidade x investimento nas confederações

Um item que registrou aumento substancial de investimento com recursos da Lei Piva foi a “manutenção da entidade”. Para se ter ideia, o COB aplicou nele próprio quase o mesmo montante que distribuiu às 29 confederações durante o ano de 2014. O item “manutenção da entidade” cresceu 26% de 2013 para o ano seguinte. E de 2014 para o exercício subsequente outros 15%. Alcançou a marca de R$ 71.5 milhões em 2015. As 29 confederações receberam, em 2014, R$ 74 milhões, contra R$ 61 milhões aplicados em “manutenção” do COB no período.

Desde 2001, 2% do prêmio das loterias federais é destinado ao Comitê Olímpico (1,7%) e  Comitê Paraolímpico Brasileiro (0,3%). A partir deste ano, os paraolímpicos passaram a receber 1%, enquanto o COB manteve seu percentual.


Palco da estreia da seleção na Rio-16 abandona energia solar, sem dinheiro
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Daniel Brito

BRASILIA, BRAZIL - JUNE 15: General View of fans in the stands enjoying the match action during the FIFA Confederations Cup Brazil 2013 Group A match between Brazil and Japan at National Stadium on June 15, 2013 in Brasilia, Brazil. (Photo by Robert Cianflone/Getty Images)

Sol de Brasília deveria ser a fonte de energia do Estádio Nacional na Rio-16 (Robert Cianflone/Getty)

Não saiu do papel o projeto de alimentar o Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, com energia solar. Duas empresas do GDF (Governo do Distrito Federal) rescindiram, de forma amigável, o contrato para obra, estimada em R$ 12,2 milhões e com previsão de ficar pronta para os Jogos Olímpicos do Rio-2016.

O motivo: falta de dinheiro.

O Nacional foi contemplado com 10 partidas de futebol nos Jogos do Rio-2016 em um período de oito dias, de 4 a 12 de agosto. Os holofotes que vão por luz na seleção brasileira masculina a partir das 16h do dia 4, ante a África do Sul, na estreia do time de Rogério Micale na Olimpíada, serão alimentados por redes de alta tensão vindas das usinas hidroelétricas de Corumbá III e Corumbá IV, em Goiás.

Não era essa a promessa feita no início de 2014. O compromiso oficializado à época era que 75% da cobertura do Nacional pudessem ser utilizados para abrigar os painéis de captação de energia solar fabricados com silício cristalino. Seria ali a Usina Fotovoltáica (USF), nome técnico para produção desta matriz energética. De acordo com a CEB (Companhia Energética de Brasília) atenderia uma demanda da Fifa que gostaria de fazer uma ''Copa sustentável”.

Em abril deste ano, contudo,  o DODF (Diário Oficial do Distrito Federal) publicou o balanço da CEB no qual constava a informação da rescisão amigável entre a companhia e a Terracap, agência de desenvolvimento do DF, igualmente uma empresa pública do governo local. A Terracap era a responsável pelo consórcio que tocaria a obra.

“A Terracap solicitou inicialmente a suspensão do convênio e realização de estudos de viabilidade do empreendimento. Depois, a Gerência de Engenharia da Terracap sugeriu a rescisão contratual. Dentre os motivos elencados está a conjuntura econômica/financeira em que a Terracap se encontrava, sem recursos disponíveis, visto que essa despesa não foi contemplada na proposta orçamentária de 2015”, informou a Terracap, por meio da assessoria de imprensa.

A empresa também informou que a obra nem sequer foi iniciada e não há outra alternativa, a não ser continuar alimentando o Estádio Nacional com as linhas de Corumbá III e IV.

E eu com isso?

A arena brasiliense, reerguida ao custo estimado de RF$ 1,9 bilhão, ganhou duas sub-estações de energia cujas redes de alta tensão estão sendo fornecidas pelo SIN-Furnas (Sistema Interligado Nacional) e das usinas de Corumbá III e IV, responsáveis por abastecer todo o DF, que custaram R$ 23 milhões, segundo anunciou o GDF, em 2013. Além dessa, haveria a tal usina fotovoltáica no valor de R$ 12 milhões, que nunca saiu do papel.

A energia solar é limpa e renovável, embora mais cara que a hidroelétrica. Brasília reúne características especiais para aderir a esta matriz energética, uma vez que possui uma estação seca que se estende por quase seis meses no ano em média.

Se a usina fotovoltáica do Nacional tivesse saído do papel, ela substituiria de alguma maneira o consumo da energia da hidroelétrica. As redes de alta tensão de Corumbá poderiam, assim, ter uma destinação muito mais útil para o cotidiano da capital.  Por exemplo, contribuindo para diminuir a incidência de apagões na região central da capital do país, onde estão localizadas diversas autarquias, ministérios, tribunais superiores e sede de bancos públicos.

Além de amenizar a diminuição do nível dos reservatórios no Estado de Goiás, que nesta época do ano começa a preocupar as autoridades, em razão do minguado índice pluviométrico registrado até agora em 2016 na região.

BRASILIA, BRAZIL - JUNE 03: Traffic passes (BOTTOM) as some buses are parked (MIDDLE) in front of the 72,000-seat Mane Garrincha Stadium, which is now used primarily as a municipal bus parking lot, on June 3, 2015 in Brasilia, Brazil. Brazil constructed a number of expensive stadiums for the 2014 FIFA World Cup which now sit mostly empty in part because there is no popular local team to draw attendance. (Photo by Mario Tama/Getty Images)

Sol por seis meses: DF reúne características para projeto de energia solar (Mario Tama/Getty)


Casal que detonou esquema russo de doping depende de ‘vaquinha’ para viver
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Daniel Brito

AMSTERDAM, NETHERLANDS - JULY 06: Yuliya Stepanova of Russia looks on during her 800m heat on day one of The 23rd European Athletics Championships at Olympic Stadium on July 6, 2016 in Amsterdam, Netherlands. (Photo by Dean Mouhtaropoulos/Getty Images)

Yulia Stepanova esperava ter autorização para disputar a Rio-2016 (Dean Mouhtaropoulos/Getty)

Uma campanha internacional de crowdfunding (financiamento coletivo) para Yulia e Vitaly  Stepanov já arrecadou aproximadamente R$ 80 mil em cinco dias. Eles formam o casal que detonou todo o esquema de fraude de doping bancado e ocultado pelo governo russo. O episódio veio à tona após denúncia feita a emissora de TV da Alemanha chamada ARD, em 2014.

Desde então, os Stepanovs vivem com medo. Temem ser vítimas de queima de arquivo. Perambularam às escondidas por Alemanha, Suíça e hoje estão em algum lugar dos Estados Unidos. Na semana passada, os dois concederam entrevista à Comissão de Ética do COI (Comitê Olímpico Internacional) sobre o caso. Reforçaram as denúncias que tornaram públicas à TV alemã há dois anos.

Esperava-se que o COI fosse banir todos os atletas russos dos Jogos Olímpicos do Rio-2016. Havia, inclusive, a expectativa de que o COI fosse dar a vaga olímpica a Stepanova na prova dos 800m do atletismo, na qual é especialista. Seria um prêmio pela delação bombástica e que muda a história do combate ao doping no esporte..

O COI, contudo, nem baniu a Rússia e nem muito menos autorizou Stepanova a disputar a Rio-16. O que foi encarado como um sinal de desencorajamento a futuras delações de atletas, treinadores ou agentes do controle de doping..

Vitaly, por exemplo, era funcionário da Rusada, a agência russa de combate ao doping. Participou do esquema por um determinado período. Até que ele e Yulia decidiram gravar conversas com atletas e treinadores em que confirmavam todo o esquema profissional de doping.

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Yulia, o filho Robert, de 2 anos, e Vitaly: vida nos EUA (Reprodução/Facebook)

Agora, obviamente, está sem o emprego, e desde 2013, o casal tem a companhia do pequeno Robert, filho de Vitaly e Yulia. Mas a família foi abandonada pelos amigos russos, os parentes dos Stepanovs evitam contato. Eles são tidos como traidores da pátria.

A política de investimento em esporte na Rússia passa diretamente pelo Kremlin. Basta dizer que Vitaly Mutko, ministro do Esporte, é suspeito de estar diretamente envolvido no caso de ocultação e financiamento de doping. É uma figura tão controversa que também está no epicentro do escândalo de corrupção da Fifa para eleição da sede do Mundial-18.

Durante os Jogos Olímpicos de inverno, na ensolarada Sochi, há dois anos, a Rússia bateu recorde de medalhas, fazendo uso desse esquema de doping, segundo investigações da Wada (Agência Mundial Antidoping). e a popularidade de Vladimir Putin, presidente do país, bateu na casa dos 80% – muito desse percentual se deve, é verdade, à investida da Rússia na guerra contra a Ucrânia, para tomar a região da Criméia.

Como a Rússia ainda carrega aquela herança soviética de que é possível mostrar toda a força e poderio da nação por intermédio da performance esportiva, o casal Stepanov caiu em desgraça popular no Cáucaso.

Agora, eles buscam sobreviver nos Estados Unidos e o crowdfunding, apoiado por membros da comissão de atletas da Wada, tem o intuito de arrecadar cerca de R$ 265 mil para o casal. Em cinco dias, um quarto deste valor já foi angariado.
Os interessados em contribuir podem fazê-lo neste link.

AMSTERDAM, NETHERLANDS - JULY 06: Yuliya Stepanova of Russia walk off the track after competing in the Women's 800m during Day One of The European Athletics Championships at Olympic Stadium on July 6, 2016 in Amsterdam, Netherlands. (Photo by Ian MacNicol/Getty Images)

Stepanova disputou o Europeu, em junho, mas lesionada, ficou em último (Ian MacNicol/Getty)


Rio-16 tenta o que DF não conseguiu: salvar o gramado do Mané Garrincha
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Daniel Brito

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Imagem reproduzida da TV do gramado do Estádio Nacional, no início desta semana

O Comitê Organizador Rio-2016 tem 25 dias para salvar o gramado do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha. Desde 11 de julho a arena está entregue à organização dos Jogos, que montou força-tarefa dedicada ao campo de jogo. No próximo dia 4, às 16h, a seleção masculina estreia contra África do Sul, no Distrito Federal.

O gramado é um ponto de preocupação no gigante de 72 mil lugares erguido para receber o Mundial da Fifa, dois anos atrás. No último dia 10, o Flamengo enfrentou o Atlético-MG com o campo em condição lastimável. A grama estava queimada, dava até a impressão de que um trator havia arado o terreno minutos antes de a bola rolar. Havia areia em todo o campo, a pequena área estava remendada com placas de grama. Os jogadores reclamaram das condições publicamente.

De acordo com a Comitê Rio-2016, nada disso será visto quando começarem os Jogos. “Uma equipe de especialistas trabalha na recuperação e preparação do gramado. Com a interrupção do uso do estádio e o trabalho intensivo dos agrônomos, o campo estará em melhores condições para receber as dez partidas programadas para Brasília”, informou o Rio-16, por meio de sua assessoria.

Serão vetados treinamentos no Nacional. Nem sequer o tradicional reconhecimento de gramado, no dia que antecede à partida, será permitidos, apenas um passeio, sem chuteira, só de tênis, pelo campo.

Problema crônico

Brasília foi contemplada com 10 partidas de futebol nos Jogos Olímpicos do Rio-2016 em um período de oito dias, de 4 a 12 de agosto. Assim, o Estádio Nacional terá quase 50% a mais de jogos nas Olimpíadas do que no Mundial Fifa-14. A Copa do Mundo levou ao Distrito Federal sete partidas em um período de 24 dias. Após os primeiros 270 minutos de bola rolando (três jogos), contudo, o gramado brasiliense começou a apresentar algumas falhas.

Para a Rio-16, o prazo de 72 horas entre duas partidas, respeitado pela Fifa, só será considerado uma única vez. Até porque os Jogos Olímpicos têm 16 dias de duração, contra 30 da Copa do Mundo. Para aumentar o drama do gramado, haverá rodadas duplas do torneio olímpico nos dias 7, 9 e 10 de agosto.

O gramado é um dos problemas crônicos desta arena, de valor estimado em R$ 1,9 bilhão, de acordo com o Tribunal de Contas do Distrito Federal. O GDF (Governo do Distrito Federal) até agora não se mostrou capaz de deixar o campo de jogo em estado perfeito, ainda que ele seja subutilizado. O mesmo Tribunal de Contas também estimou que houve um superfaturamento de R$ 1 milhão do gramado quando da reconstrução do estádio.