Blog do Daniel Brito

Ela venceu grave doença cardíaca, agora tenta vaga nos Jogos de Inverno-18
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Daniel Brito

Bruna passou por delicada cirurgia no coração e retomou a prática esportiva

Quando o Brasil estiver fervendo nos dias que antecedem ao carnaval, a paulista Bruna Moura estará encarando a neve da cidade de Lahti, na Finlândia, em busca de uma vaga nos Jogos Olímpicos de Inverno no esqui cross country. É lá que será realizado o mundial da modalidade, nesta quarta-feira, 22, e quinta-feira, 23.

Para chegar na Escandinávia, ela teve que enfrentar um caminho mais longo e sinuoso que a maioria de suas rivais. E não é só pelo fato de ser brasileira e não ter neve para treinar. Há quatro anos, Bruna submeteu-se a uma delicada cirurgia no coração para corrigir um problema congênito chamado Comunicação Interatrial (Cia).

Quando descobriu a doença, ela era atleta do mountain bike. Chegou a integrar a seleção brasileira em algumas etapas de copa do mundo. Ela teve que parar com todas as atividades esportivas ao ser diagnosticada com Cia. Caiu em depressão, engordou até encontrar com a ex-técnica de ciclismo Jaqueline Mourão.

Jaqueline é uma das mais experientes atletas olímpicas do Brasil. Em Atenas-04 e Pequim-08, representou o Brasil no mountain bike. Em Torino-06, Vancouver-10 e Sochi-14, estava lá com a bandeira verde-amarela no esqui cross country e no biatlo, prova que combina resistência (esqui) e precisão (tiro esportivo) na neve.

Foi ela quem guiou Bruna no auge do trauma pela descoberta da doença. Jaqueline ajudou a conseguir, após muito esforço e sorte, uma cirurgia gratuita no Instituto Dante Pazzanese, do governo do Estado de São Paulo.

Quando não está fora do Brasil, Bruna treina com roller esqui, no interior de SP

Entre a descoberta da doença e a cirurgia, Bruna conheceu o roler esqui, modalidade utilizada pelos brasileiros adeptos do esporte na neve para treinar sem neve por essas bandas. Gostou, mas não podia dedicar-se integralmente por causa de sua saúde. Mas a CBDN (Confederação Brasileira de Desporto na Neve) guardou seus contatos.

E os utilizou meses após Bruna recuperar-se da cirurgia. Sem a enfermidade, Bruna pôde voltar a praticar esportes em alto rendimento. Quando preparava-se para voltar ao mountain bike, recebeu o telefone da CBDN convidando para retomar as atividades no roler esqui.

“Eu fiz uma última prova de mountain bike, para me despedir, e fui me dedicar ao roler esqui”, conta ao blog, Bruna. A primeira temporada completa de competições no exterior foi em 2015, sem resultados expressivos.

Já em 2017, disputou a Universíade de inverno (jogos mundiais universitários), em Almaty, no Cazaquistão. Competiu nos 15km Class Start Classic, em que todos os participantes largam ao mesmo tempo. Nas últimas três provas que disputou – 5km Individual Classic, 5km Pursuit Free e Sprint Classic – ela esteve muito próxima de alcançar o índice olímpico, que deve ser abaixo de 300 pontos da Federação Internacional de Esqui (FIS). Na 15km Mass Start Classic, Bruna alcançou a pontuação FIS 380.34.

Como ironia do destino, ela disputa uma vaga para chegar a PyeongChang-2018, sede dos Jogos Olímpicos de Inverno, com sua “anjo da guarda”, Jaqueline Mourão, que a ajudou quando mais precisava.

Bruna tenta vaga no esqui cross country nos Jogos de Inverno de PyeongChang-2018


Ex-BBB põe fim à carreira de paratleta para se dedicar a projetos na TV
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Daniel Brito

Imagem: Ramón Vasconcelos/Globo

O paulista Fernando Fernandes, 35, não é mais atleta da paracanoagem. Pelo menos, no alto rendimento. A temporada de 2016 foi sua última no mais alto nível do circuito internacional,, e agora ele se dedica a projetos para a TV.

Ele já informou à CBCa (Confederação Brasileira de Canoagem) e CPB (Comitê Paraolímpico Brasileiro) sobre sua decisão. Agora, ele trabalha com programas especiais para o canal a cabo OFF, especializado em esporte radicais e em contato com a natureza, além de quadros para o Esporte Espetacular, programa esportivo dominical da Globo. As informações foram passadas ao blog pelo agente de Fernandes. Atualmente, eles se encontram na Noruega gravando programas para seus novos projetos.

Fernandes ganhou notoriedade em 2002, quando participou da segunda edição do Big Brother Brasil, reality show da TV Globo, no qual foi o terceiro eliminado. Sete anos mais tarde, ele sofreu um acidente automobilístico que o deixou paraplégico. Durante a reabilitação, no Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília, conheceu a canoagem. Ele dedicou-se à modalidade desde então.

Sagrou-se tetracampeão mundial. Mas há quase três anos vinha reclamando dos critérios de classificação dos atletas, que fazia com que competisse com atletas sem lesão medular, e isso o colocava em desvantagem. Este foi um dos fatores alegados por ele para não participar dos Jogos Paraolímpicos do Rio-2016. Após terminar em 5º no Mundial de Duisburg, na Alemanha, em maio do ano passado, ele perdeu a vaga para o piauiense Luis Carlos Cardoso.

“Dois anos atrás, comecei a me deparar com uma realidade estranha na classificação funcional, que é colocar o devido atleta na devida categoria de acordo com sua lesão e com o que ele tem de funcional. De 2014 pra cá o esporte começou a perder a mão disso, as pessoas aprenderam a burlar esse sistema e essa regra pra se beneficiar”, queixou-se o ex-BBB. Sua ''luta'' contra os problemas na classificação foi retratada no documentário ''Paratodos'', do cineasta Marcelo Mesquita, no ano passado.

Apesar de largar o esporte de alto rendimento, o ex-BBB não deixou de lado a prática esportiva. Suas  páginas pessoais nas redes estão repletas de fotos e vídeos de Fernandes exercitando-se nos mais diversos lugares, inclusive promovendo a inclusão das pessoas com deficiência no esporte.

 


Atleta russa que “deve medalha” olímpica ao Brasil se recusa a entregar
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Daniel Brito

Time russo de revezamento comemora o ouro em Pequim-08, perdido anos mais tarde (Al Bello/Getty)

A corredora Yulia Gushchina, 33, amargou a experiência de ter suas três medalhas olímpicas perdidas por causa de doping. Mas não foi por causa dela, e sim, por conta de suas companheiras de equipe. Ela acumulou um ouro, uma prata e um bronze em Pequim-2008 e Londres-2012 em provas do revezamento do atletismo. Mas perdeu todas porque uma ou mais parceiras testou positivo no exame antidoping. Gushchina, no entanto, jamais foi flagrada.

Uma dessas medalhas interessa ao Brasil. A Rússia foi ouro no revezamento 4x100m rasos em Pequim-2008. Porém, uma das componentes do time russo falhou no reexame das amostras de urina e sangue feitas pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) entre 2015 e 2016. Assim, a Rússia perdeu o ouro, O Brasil – que terminara aquela prova na quarta colocação com Rosemar Coelho, Lucimar de Moura, Thaissa Presti e Rosangela Santos – herdou o bronze. As belgas ficaram com o ouro, e as nigerianas, com a prata.

Doping de companheiras de equipe tirou as medalhas de Gushchina (Getty)

Quando consultada pela imprensa russa sobre a perda das medalhas, Gushchina soltou o verbo. “Eu não sei das outras garotas, mas eu não devolvo a minha”, afirmou a corredora após ser informada da terceira perda consecutiva, desta feita em reexames de urinas coletadas em Londres-2012. “Já estou levando uma vida completamente diferente, estou esperando meu segundo filho, não vou aos tribunais por causa disso”, completou.

O regulamento do COI diz que, em caso positivo de doping, o atleta medalhista é obrigado a devolver a láurea. Veja, por exemplo, o caso de Usain Bolt. Ele perdeu o ouro no revezamento 4x100m de Pequim-2008 e já devolveu sua medalha, apesar de o doping ter sido confirmado em um companheiro de equipe e não nele.

Mas os russos que estão sendo flagrados por atacado em reexames do COI de Pequim-08 e Londres-12, estão demorando para devolver. O presidente do Comitê Olímpico Russo, Alexander Zhukov, disse às agências internacionais de notícias que nenhuma desportista flagrado em doping havia devolvido a medalha. Havia a suspeita de que esse fosse um pedido expresso de Vitaly Mutko, ministro do esporte, e home forte do governo Putin. O governo, no entanto, recusou-se a comentar o caso.

O Brasil já faz planos de receber as medalhas do quarteto que herdou o bronze em Pequim-2008. Agora em março deve haver um pódio temporão.

Brasileiras celebrarão a medalha de Pequim-08 nove anos mais tarde (Al Bello/Getty Images)


Salário da NBA, lesão incurável: os últimos dias de Fab Melo em atividade
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Daniel Brito

Apu Gomes/Folhapress

Apu Gomes/Folhapress

Fab Melo, encontrado morto no sábado, 11, em Juiz de Fora, Minas Gerais, tentou por quatro meses voltar a jogar no Brasília, atual líder do NBB. Chegou em agosto do ano passado, com um salário modesto para os padrões do time, mas pediu para sair quatro meses mais tarde, após jogar somente dois minutos em sua estreia, na sétima rodada do Nacional, sob a alegação de que voltaria para os EUA para tratar-se de uma lesão na panturrilha.

O Brasília o contratou porque estava barato no mercado nacional. Recebia mensalmente R$15 mil – o teto salarial no grupo chega a R$ 50 mil. Seus vencimentos eram baixos para seu inventário, no qual constavam a passagem bem sucedida na NCAA (liga universitária dos EUA), escolha na primeira rodada do Draft da NBA e passagem pelo Boston Celtics (ainda que como figurante). Um currículo daqueles que pode chamar público aos ginásios brasileiros e somar talento para qualquer elenco no NBB.

Treinou por não mais que 20 dias seguidos tão logo desembarcou no planalto central, mas teve de se apresentar ao departamento médico. O diagnóstico: lesão na panturrilha direita. E foi isso que o atormentou.

“Estava na quinta contusão só neste ano [de 2016], não consegui dar sequência aos jogos da temporada. Preciso me retirar para tratar a lesão, focar minhas energias no tratamento”, explicou o jogador mineiro, ao deixar o time em dezembro.

Em quatro meses, disputou sete jogos por Brasília. Seis valendo pela Liga Sul-Americana, na qual acumulou média de 12 minutos, e uma única apresentação no NBB. Dia 30 de novembro de 2016 foi sua última partida oficial. Foram dois minutos e quarenta e cinco segundos em quadra contra o Pinheiros: dois pontos, um erro e um rebote ofensivo. Não jogou mais porque não suportava o incômodo causado pela lesão.

Por causa dela, foi chamado por José Carlos Vidal, diretor do Brasília, para conversas em particular. “Houve uma omissão na lesão. Nosso fisioterapeuta, o Carlinhos, foi atrás do histórico dele e viu que havia essa contusão de 2012 ou 2014 que pode ter sido mal resolvida e reverberou por anos”, disse Vidal. “Quando pediu pra nos deixar, já estávamos em busca de um novo pivô, e o Fab Melo nos disse que iria voltar para os Estados Unidos para se recuperar lá”, completou.

Vidal relata que em todo o tempo que ficou em Brasília, Melo atrasou-se apenas uma , antes de um amistoso de pré-temporada, mas por motivos de problemas com avião. “Eu dizia para ele: ‘Conheço todos os lugares de Brasília. Se você atrasar, vou saber onde esteve'”, relembrou o dirigente, que acrescentou não ter registrado problemas de comportamento do jogador.

Após a rescisão, amigável e sem custos  para ambas as partes, segundo Vidal, o diretor do Brasília contou que recebeu a informação de que o pivô de Minas Gerais ainda recebia salários da NBA. Escolhido no Draft de 2012 ainda na primeira rodada, teve direito ao equivalente a R$ 10 milhões (na cotação de hoje) pelo contrato de três anos com o Boston Celtics.

Entenda o que aconteceu com Fab Melo

O jogador foi encontrado morto dentro de sua casa por sua mãe, que mora no andar de baixo. Ela acionou o SAMU (Serviço de atendimento Móvel de Urgência), que constatou o óbito e levou o corpo para o IML.

A autópsia realizada no local apontou morte natural por causa indeterminada, e a Polícia Civil de Juiz de Fora não vai abrir inquérito para apurar o caso.

O enterro de Fab Melo aconteceu no último domingo na cidade mineira.

 

 


Deputado quer sede da CBF no DF para evitar benefícios a clubes cariocas
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Daniel Brito

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Justificativa de Alberto Fraga (DEM-DF) para o projeto cita campeonato do ano 2000

Tramita em caráter conclusivo na Câmara dos Deputados um projeto de lei no mínimo controverso. Proposta do deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF) transfere para o Distrito Federal a sede de todas as confederações desportivas do país. A alegação do parlamentar é polêmica.

“É mais do que evidente, por exemplo, no caso do futebol, que os clubes do Rio de Janeiro vêm sendo beneficiados com decisões que afrontam a dignidade e a moralidade desportiva”, disse o deputado, referindo-se à CBF, que tem sede no Rio. “Veremos a evolução do esporte brasileiro e evitaremos corrupção e escândalos que impedem a prática sadia do desporto”, defendeu Fraga.

O parlamentar tem pouca ligação com o esporte. Ele foi o mais votado pela população do Distrito Federal nas eleições de 2014, com 155 mil votos. É um dos líderes da chamada bancada da bala, grupo informal de deputados que atua na Câmara em temas relacionados à segurança pública.

Neste projeto de lei apresentado na Câmara, o deputado parece estar um pouco desatualizado. Justifica que no ano de 2000 (sim, dezessete anos atrás) houve casos de favorecimento a clubes do Rio. Na época, a entidade ainda era presidida por Ricardo Teixeira. É importante lembrar que em 2000 o campeonato brasileiro foi disputado em meio a polêmicas e com o nome de “Copa João Havelange”, por causa de problemas envolvendo o Gama, time do Distrito Federal, o Botafogo e o São Paulo.

Transferindo as sedes para Brasília, acabariam (ou diminuíram) o regionalismo nas questões administrativas – esquecendo-se o deputado que Brasília também tem time de futebol.

A CBF preferiu não se manifestar sobre o tema.

O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Esporte; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.


Japão promete carro voador para acender a pira em Tóquio-2020
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Daniel Brito

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Engenheiros japoneses fazem teste em veículo voador de menor porte

Os japoneses correm contra o tempo para fazer um carro voar com a chama olímpica e acender a pira dos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020. O plano é este e um grupo de jovens engenheiros estão trabalhando no estilo oriental para fazer um carro levantar voo na abertura dos próximos Jogos, no Japão.

O projeto não é exatamente de um carro como o que vemos nas ruas. O automóvel voador medirá 2,9 metros de comprimento e 1,3 metros de largura. Ele será um triciclo elétrico de um único assento, com duas hélices.

O Asahi Shimbun, um dos maiores jornais do Japão, publicou que é um protótipo de um modelo que possa ser utilizado no futuro (para além de Tóquio-2020) para evitar congestionamentos nas ruas e ajudar em resgates em caso de desastres naturais, quando as vias terrestres estiverem inviáveis.

Os engenheiros disseram ao Asahi que o veículo pode decolar e pousar verticalmente. Será operado com o volante e o pedal do acelerador no ar ou na estrada. O grupo de engenheiros trabalha para que o protótipo possa finalmente voar 50 quilômetros a uma altitude de 150 metros. É um desafio muito grande, dado que o estágio atual dos trabalhos fazem com que o carro chegue somente a voar por um metro e por apenas cinco segundos.

Eles têm até 24 de julho de 2020 para fazer a mais incrível acendimento de uma pira olímpica se concretizar.

RIO DE JANEIRO, BRAZIL - AUGUST 05: Former Brazilian athlete Vanderlei de Lima lights the Olympic Flame during the Opening Ceremony of the Rio 2016 Olympic Games at Maracana Stadium on August 5, 2016 in Rio de Janeiro, Brazil.  (Photo by Morry Gash/Pool/Getty Images)

Na Rio-16, a pira foi acesa por Vanderlei Cordeiro após subir uma escadaria imensa (Morry Gash/Getty)


É grave a crise: esportes olímpicos já perderam R$ 40 milhões de estatais
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Daniel Brito

O esporte olímpico nacional amarga a fuga de capitais de seus maiores mecenas: as empresas estatais. Só de duas grandes patrocinadoras, já há uma queda superior a R$ 40 milhões no investimento nas modalidades, algumas delas responsáveis por ouros do Brasil na Rio-2016.

A renovação de patrocínios do Banco do Brasil e dos Correios com quatro confederações caiu em R$ 40 milhões neste ano em relação ao injetado em contratos anteriores.

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Manoel Luiz, presidente da CBHb, foi reeleito para mais quatro anos, porém com menos recursos dos Correios

Na semana que passou, por exemplo, a CBHb (Confederação Brasileira de Handebol) viu sua verba dos Correios minguar de R$ 6,3 milhões para R$ 1,6 milhão para 2017 (serão R$ 3.2 milhões por dois anos). Os Correios são o patrocinador mais antigo da modalidade – investem desde 2012.

A empresa também fez um corte drástico na verba para a CBT (Confederação Brasileira de Tênis). Reduziu em 75% o valor do patrocínio e dará somente R$ 4 milhões pelos próximos 24 meses. Para se ter uma ideia, em 2015, um ano antes da Rio-2016, a confederação recebeu R$ 8,6 milhões.

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Jorge Lacerda, do tênis, perdeu 75% do patrocínio dos Correios

Além dos R$ 11 milhões das confederações de handebol e tênis, os Correios, empresa pública que enfrenta grave crise financeira, também fizeram um corte drástico em outra confederação que é um dos carro-chefes do Brasil em competições pan-americanas e olímpicas.

A empresa estatal retirou R$ 13 milhões do novo acordo com a CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos). Até o ano passado, a confederação recebeu R$ 18 milhões em patrocínio dos Correios. Agora, fecharam patrocínio pelos próximos dois anos (2017 e 2018) no valor total de R$ 11,4 milhões, o que dá R$ 5,35 milhões por exercício.

Não perca as contas, já se vão R$ 24 milhões.

Já é um indicativo de que o discurso oficial, segundo o qual os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do Rio-2016 seriam catalisadores do investimento e massificação das mais variadas modalidades esportivas além do futebol, não saiu do papel. Está sendo exatamente o contrário, seis meses após o fim da Rio-16, o apoio ao esporte diminui.

O Banco do Brasil, por exemplo, renovou com a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) por R$ 218 milhões até os Jogos de Tóquio-2020. Dá uma média de R$ 54 milhões anuais. É o maior patrocínio entre confederações e estatais, mas ainda assim representa R$ 16 milhões a menos por ano do que o banco pagava à confederação.  Aí fecha-se a conta dos R$ 40 milhões retirados dos esportes olímpicos neste período pós-Rio-16.

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Pitombo, da CBV: modalidade com dois ouros na Rio-16 ganhará R$ 16 milhões a menos do Banco do Brasil

E olha que a CBV foi responsável por duas das sete medalhas de ouro olímpicas em 2016: vôlei de quadra e vôlei de praia, ambos no masculino. O curioso é que a dupla formada por Bruno Schmidt e Alison, ouro em Copacabana, foi contemplada com um aumento no patrocínio individual do Banco do Brasil. Alison receberá quase R$ 80 mil a mais neste ano, enquanto que Schmidt terá um incremento de 60% nos ganhos advindos do patrocinador.

Sorte diferente teve o iatista Robert Scheidt, dono de dois ouros olímpicos (Atlanta-1996 e Atenas-04). Ainda em 2013, seu acordo com o banco foi superior a R$ 3 milhões pelo ciclo completo da Rio-2016. Dava uma média de R$ 63 mil por mês pelo quadriênio. No início de fevereiro, a instituição financeira renovou por apenas 12 meses no valor de R$ 760 mil e um detalhe: “Patrocínio para o atleta Robert Scheidt e seu parceiro”. Ou seja, isso é tudo o que o banco dará para o velejador e seu parceiro, atualmente Gabriel Borges, que disputam agora a classe 49er.

A Petrobras, outra estatal que investiu forte na preparação para os Jogos de 2016, ainda não divulgou a renovação de seus patrocínios com modalidades olímpicas. A Caixa informou que novos acordos devem ocorrer entre este mês e o próximo. A tendência é de que a queda nos investimentos seja bem superior aos atuais R$ 40 milhões.


Ele saiu frustrado da Olimpíada do Rio, mas agora é bicampeão do Super Bowl
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Daniel Brito

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Nate Ebner é o primeiro atleta da NFL em atividade a disputar uma Olimpíada

Nate Ebner, 28, experimentou a emoção de ser um atleta olímpico e campeão do Super Bowl, a grande final da NFL, em um espaço de seis meses. Ele atuou como safety do New England Patriots na temporada de futebol americano que se encerrou de forma eletrizante na madrugada de domingo para segunda-feira. Antes, em agosto, entrou para a história como primeiro atleta em atividade na NFL a disputar uma olimpíada – ele estava no time de rúgbi  dos Estados Unidos na Rio-2016.

Seu feito foi comemorado no USOC (sigla em inglês para Comitê Olímpicos dos Estados Unidos): “Ninguém teve seis meses como Nate Ebner”, publicou em sua página na internet o USOC.

A NFL ja teve diversos representantes em Jogos Olímpicos, mas então esses atuaram antes ou após a carreira na liga norte-americana de football. É o caso, por exemplo, de Bob Hayes, campeão olímpico nos 100m rasos em Tóquio-1964 e, sete anos mais tarde, campeão do Super Bowl-71 como wide receiver do Dallas Cowboys.

Nate não teve a mesma sorte de Hayes. Os Estados Unidos caíram no grupo do do Brasil e aplicaram duas vitórias acachapantes. Porém, não foi o suficiente para fazer sua seleção, que se auto-intitula Eagles (aguias), a conseguir uma colocação melhor que o nono lugar entre 12 – o Brasil foi o 12º.

Para disputar a Rio-2016, Ebner teve que ser dispensado dos treinamentos de pré-temporada do New England Patriots. Nos dias em que atuou pelos Eagles, Ebner contou com a torcida de seus companheiros de Patriots. A comissão técnica do time da NFL deu folga à noite para assistir ao rúgbi olímpico.

O esporte entrou na vida deste americano de Ohio antes mesmo do futebol americano. Ele compôs as seleções dos Estados Unidos de rúgbi na base até o sub-20, e somente após dois anos na faculdade, decidiu entrar para o football. Logo destacou-se e, em 2012, foi a sexta escolha do draft da NFL. Quando chegou para a disputar a Rio-2016, Ebner já carregava na mala o anel de campeão do Super Bowl, em 2015 o Patriots derrotou o Seattle Seahawks.

Hoje, Nate Ebner tem um salário de US$ 1,2 milhão por temporada (R$ 3,7 milhões), foi coadjuvante nas duas finais de Super Bowl que disputou e está muito longe dos US$ 21 milhões (R$ 65 milhões)  por ano do quarterback e astro dos Patriots, Tom Brady. Mas pode orgulhar-se de dizer que já realizou o sonho de disputar uma Olimpíada – o que Brady provavelmente não vai conseguir na carreira.

RIO DE JANEIRO, BRAZIL - AUGUST 09:  Nate Ebner of the United States beats Felipe Claro of Brazil to score a try during the Men's Rugby Sevens Pool A match between the United States and Brazil on Day 4 of the Rio 2016 Olympic Games at Deodoro Stadium on August 9, 2016 in Rio de Janeiro, Brazil.  (Photo by David Rogers/Getty Images)

Nate Ebner passou pela Rio-16 com discrição, assim como o time dos EUA no rúgbi (Getty)


Ela sofreu uma queda feia na Rio-16, agora usa o acidente como motivação
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Daniel Brito

GEELONG, AUSTRALIA - JANUARY 28:  Annemiek Van Vleuten of Orica Scott and the Netherlands crosses the line to win the Elite Women's race during the 2017 Cadel Evans Great Ocean Road Race on January 28, 2017 in Geelong, Australia.  (Photo by Robert Cianflone/Getty Images for 2016 Cadel Evans Great Ocean Road)

Van Vleuten liderava a Rio-16 faltando 12km para o fim, quando sofreu um acidente feio (Robert Cianflone/Getty)

A holandesa Annemiek van Vleuten , 34, entrou para a história dos Jogos Olímpicos do Rio-2016 após uma grave queda durante a prova de ciclismo de estrada, logo no segundo dia de competições, em agosto passado.

Ela liderava a prova, restavam 12 quilômetros para a linha de chegada. Por algum motivo estranho, ela perdeu a tangência em uma curva, que nem era tão acentuada, e escapou da pista. A holandesa caiu de cabeça em uma vala de cimento à margem da estrada, e permaneceu imóvel no local da queda.

As cenas são chocantes e foram transmitidas para o mundo inteiro. Van Vleuten sofreu uma concussão e três fraturas menores na espinha lombar. Teve de ser internada em uma UTI, mas manteve-se consciente e não passou pelo risco de sofrer sequelas.

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Reprodução da transmissão oficial de TV do momento da queda

Deu sorte.

Neste mesmo percurso, mas em outro ponto, 45 dias mais tarde, no último dia de competições dos Jogos Paraolímpicos do Rio-2016, o ciclista iraniano Bahman Golbarnezhad bateu a cabeça numa pedra na descida de Grumari, um dos locais mais rápidos do circuito montado pelos organizadores. Ele era ex-combatente da guerra entre Irã e Iraque, amputado de uma perna, não sobreviveu à queda e morreu no Rio de Janeiro.

Exatamente um mês depois do acidente, a holandesa Van Vleuten já estava competindo. “Eu não me lembro exatamente da queda, só me lembro da descida e de pensar em não assumir muitos riscos para manter a liderança e conquistar o ouro olímpico”, relembrou Van Vleuten à revista australiana The Advertiser.

“Não quero exatamente que a memória daquele dia desapareça. Porque eu fazia até ali a melhor prova da minha vida, não posso nunca me esquecer disso -a não ser pelo final da prova [a queda]”, afirmou à imprensa australiana antes de uma prova no final de semana passado.

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Reprodução da transmissão da TV momentos antes de Van Vleuten ser socorrida: atendimento chegou rápido ao local

Van Vleuten (se pronuncia : Van Vluiten) é a 12ª colocada no ranking mundial da UCI (União Ciclística Internacional), carrega no currículo um título da Volta da Bélgica e um Campeonato Mundial, ambos em 2011. No Rio-2016, ela considera que estava na melhor forma, e pronta para o ouro.

“Para ser sincera, passei uma semana pensando em como pude perder o ouro olímpico, mas depois parei. Não ajudaria muito ficar remoendo isso”, afirmou.

Uma semana após deixar o Rio, Van Vleuten exilou-se voluntariamente nas montanhas da Itália para pensar na vida e matar o tempo até que pudesse voltar a pedalar. “Houve um período em que eu estava sem poder pedalar, nem falar ao telefone eu podia, por causa das lesões na cabeça. Minha mãe cuidou de mim”, relatou.

Em setembro de 2016, a holandesa já estava treinando normalmente. Em seguida, retornou o ritmo de competição. Mesmo sem considerar estar na melhor forma, foi campeã de uma prova com o top 100 do mundo próximo a Melbourne, com um sprint incrível na reta de chegada. Após a vitória, revelou surpresa pelo resultado. E voltou a falar de sua passagem pelo Rio-2016:

“Se quiserem falar comigo sobre a corrida inteira, tudo bem. Espero que falem sobre isso, não apenas do acidente. Foi uma grande prova de ciclismo entre mulheres, foi lindo de assistir. Para mim, teve um final triste, mas foi bom poder mostrar ao público que minha performance  me inspirou para seguir nesta temporada atual”.

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Van Vleuten postou esta selfie em seu Twitter antes de deixa ro Rio, em agosto-16


Correios cortam R$ 13 milhões de patrocínio de esportes aquáticos
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Daniel Brito

Os Correios vão cortar nada menos que R$ 13 milhões do patrocínio à CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos), que gere as modalidades de natação, maratona aquática, nado sincronizado, saltos ornamentais, polo aquático. Trata-se de um corte drástico, que pode agravar ainda mais a crise que cerca da CBDA.

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Coaracy Nunes, presidente desde 1988, deixa o cargo e não trabalhará com orçamento apertado

Até o ano passado, a confederação recebeu R$ 18 milhões em patrocínio dos Correios. Acumulou quase R$ 50 milhões da estatal no triênio 2014-2016. Mas a empresa atravessa grave crise financeira e o corte era previsto.

No final das contas, os Correios fecharam patrocínio pelos próximos dois anos (2016 e 2017) no valor total de R$ 11,4 milhões, o que dá R$ 5,35 milhões por exercício. Numa conta por mês, os Correios passariam cerca de R$ 475 mil a cada 30 dias à CBDA.

Em outubro último passado, os repórteres Fábio Aleixo e Guilherme Costa, meus companheiros de UOL Esporte, contaram que o processo de renovação de patrocínio envolvia uma diminuição nos valores.

Em novembro, você leu aqui no blog que os Correios suspenderam as tratativas de negociação para renovação com a CBDA, numa consequência direta de uma decisão judicial que afastou parte da diretoria da instituição esportiva, incluindo o presidente Coaracy Nunes, que ocupa o cargo desde 1988.

Nunes reassumiu o posto posteriormente, retomou as negociações, mas não conseguiu evitar o talho em no orçamento. Coincidência ou não, ele está impedido a concorrer à reeleição neste ano. Logo, não terá que trabalhar com orçamento tão afetado pela crise.