Blog do Daniel Brito

“Ainda estou meio perdido”, diz Bernardinho sobre saída da seleção de vôlei
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Daniel Brito

O bicampeão olímpico Bernardinho disse que ainda está “um pouco perdido” desde que anunciou sua saída do cargo de treinador da seleção masculina de vôlei. Ele despediu-se da função após comandar o time nacional nos Jogos Olímpicos do Rio-2016 na conquista do terceiro ouro olímpico da história da modalidade no país entre os homens.

Atualmente, comanda o Rio de Janeiro, time que disputa a Superliga feminina. Em entrevista à repórter Maíra Nunes, do Correio Braziliense, revelou que já recebeu diversas propostas desde que largou a seleção. Mas não tem um destino certo.

“Confesso que estou ainda um pouco perdido. É sofrido para mim. Todas as pessoas que eu encontro na rua me agradecem, mas dizem que estão chateadas pela minha saída. É uma espécie de luto, mas faz parte”.

(Getty)

“Eu estou em um momento diferente. Quanto ao meu futuro, a gente tem um time [o Rio de Janeiro, que disputa a Superliga feminina] para cuidar e um projeto para continuar. Também quero continuar estudando, aprendendo e inspirando pessoas. Eu tive alguns convites de fora com a notícia da minha saída da Seleção, muito sedutores financeiramente, mas que não me interessam. Não vou deixar uma grande equipe como é a Seleção Brasileira para treinar um outro grande time na Europa. Que sentido tem? Se fosse assim, continuaria na Seleção. Só a possibilidade de treinar um time universitário nos Estados Unidos me interessou mais, porque teria a questão de juntar educação, área acadêmica e esporte. Pelas meninas, filhas, poderia ser uma oportunidade interessante também.

A repórter também perguntou a Bernardinho sua opinião sobre o legado olímpico deixado pela Rio-2016 – assunto sobre o qual o UOL Esporte publicou um vasto matéria e você pode ler aqui.

Bernardinho disse: “Nosso país não tem um patamar de renda que sustente grandes arenas. Nem o futebol, quem dirá o esporte olímpico. O grande legado que as pessoas não sabem entender e explorar é que os nossos jovens não têm perspectiva nem esperança. Por isso que o legado são as três medalhas do Isaquias ou o ouro da Rafaela Silva. Quem diria que a menina que saiu da Cidade de Deus, tão violenta e tudo, conseguiria essa façanha. Ela mostra que é possível, com disciplina, planejamento e investimento correto. É o Serginho com quatro medalhas olímpicas saindo da periferia de São Paulo. Esse é o verdadeiro legado. As obras, infelizmente, são excessivas para um país que não tem condições de mantê-las. Então, tinha que ser tudo temporário”.

Leia a íntegra da entrevista de Bernardinho a Maíra Nunes do Correio Braziliense.

 


O que aconteceu aos boxeadores acusados de assédio sexual na Rio-2016?
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Jonas Junias foi porta-bandeira da Namíbia na abertura da Rio-2016

Jonas Junias estava entre as milhares de pessoas na praia de Copacabana na virada do ano. Postou fotos sorridentes em seus perfis nas redes sociais. Ele chegou da Namíbia ainda em agosto, para disputar os Jogos Olímpicos do Rio-2016, e se meteu em uma grande encrenca. Agora aguarda para ser julgado no Brasil.

Ele é um dos dois boxeadores acusados de tentativa de estupro a camareiras que trabalhavam na vila dos atletas nos Jogos Olímpicos. Além de Junias, o outro suspeito é o marroquino Hassan Saada. Em momentos diferentes, eles teriam assediado as funcionárias em serviço, quando estas entraram em seus apartamentos para fazer a arrumação.

Até hoje, aguardam julgamento.

A imprensa da Namíbia acompanha de perto o caso e ele é frequentemente citado em tweets. Ele foi o porta-bandeira namíbio na abertura. Em seu depoimento à polícia, a camareira disse que Junias a abraçou por trás e a beijou. Ele foi detido no mesmo dia, 8 de agosto, e chegou a ser preso no complexo penitenciário de Bangu, na Zona Oeste do Rio.

Junias passou o final de ano no Rio de Janeiro, à espera de julgamento

Foi solto na manhã em que competiria- e perdeu logo na primeira luta. Ficou no Brasil mais alguns meses após o fim dos Jogos Olímpicos, retornou à Namíbia e depois voltou ao Brasil em dezembro para seu julgamento. Foi aí que conseguiu aproveitar a tradicional queima de fogos em Copacabana. Ele pode ser condenado a dois anos de prisão.

Já o marroquino Hassan Saada foi detido em 5 de agosto, dia da abertura da Rio-2016. Ele é acusado de, três dias antes, ter chamado duas camareiras ao seu quarto pedindo uma informação. Quando elas o encontraram, ele as teria atacado: apertando as pernas de uma e os seios da outra. O relato foi feito pela polícia à imprensa na época do incidente.

Saada (à dir.) no dia que chegou à vila dos atletas da Rio-2016

Saada também foi preso, não conseguiu lutar (perdeu por W.O.) e permanece no Brasil desde então. Nas suas redes sociais, tenta engajar os amigos com campanhas em seu favor. “Eu nunca encostei  nelas”, disse à imprensa marroquina Saada. Seu julgamento foi adiado quatro vezes. Se for enquadrado no crime de tentativa de estupro, pode ser condenado até a 12 anos de detenção.

Hassan Saada posta fotos de camisetas com seu nome nas redes sociais

 

Tags : Rio-2016


Senado analisa igualdade nos prêmios para homens e mulheres em competições
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Daniel Brito

A polêmica diferença na premiação recebida pelas seleções vencedoras da Liga Mundial (masculina) e Grand Prix (feminina), ambos no vôlei, na temporada 2017 chegou até Brasília. Mais precisamente ao Senado Federal.

Está na pauta da Comissão de Educação, Cultura e Esporte projeto de lei que iguala premiação para homens e mulheres para eventos promovidos com verba pública ou por entidades que recebam dinheiro público, como as confederações de esportes olímpicos e paraolímpicos.

Em meados de 2016, ganhou destaque na imprensa internacional a disparidade do tratamento dado pela FIVB (Federação Internacional de Vôlei) para a premiação distribuída aos melhores das duas principais competições internacionais organizadas pela entidade. Enquanto as mulheres que triunfaram no Grand Prix dividiram premiação de US$ 200 mil (R$ 618 mil na cotação atual), os homens que venceram na Liga Mundial repartiram US$ 1 milhão (R$ 3,1 milhões hoje).

Ante à polêmica, a FIVB, que é presidida pelo brasileiro Ary Graça, aumentou o prêmio do feminino para US$600 mil (R$ 1,8 milhão) nesta temporada.

Campeãs do Grand Prix-16 dividiram US$ 200 mil. Em 2017, premiação vai para US$ 600 mil

No Brasil, diversos campeonatos esportivos são realizados com verba pública, especialmente por meio da lei de incentivo ao esporte. E estes recursos, com frequência, são utilizados para pagar a premiação dos vencedores. Se o projeto passar no Congresso, homens e mulheres dividirão a mesma quantia. Isso vale para eventos esportivos promovidos também com recurso da lei Piva (que retira um percentual da premiação das loterias e destina ao esporte olímpico e paraolímpico) e convênios com poderes públicos (federal, estadual e municipal).

“Por que essa diferença? O esforço é o mesmo, a dedicação é a mesma, porque o prêmio tem que ser diferente? É porque ainda há a esse traço cultural que diferencia o valor das mulheres, que a gente também vê no mercado de trabalho”, afirmou a senadora Rose de Freitas (PMDB-ES).

O que a senadora não mencionou é que no caso específico do Grand Prix ou Liga Mundial, dificilmente a lei fará efeito. Porque é promovido pela FIVB, que, até onde se sabe, não tem o governo brasileiro como uma de suas fontes de patrocínios.


Na contramão das confederações, rúgbi fecha contrato milionário com estatal
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Daniel Brito

A CBRu (Confederação Brasileira de Rúgbi) vai receber quase R$ 2 milhões dos Correios para estampar a marca do Sedex nas camisas da seleção nacional pelos próximos dois anos. O acordo vai na contramão do noticiário recente de investimento de empresas estatais no esporte olímpico nacional.

Basta lembrar do que publiquei aqui no blog há quase 15 dias sobre a fuga do capital das empresas públicas nas confederações. Contando só Correios e Banco do Brasil, mais de R$ 40 milhões foram retirados do orçamento das entidades para o ciclo olímpico que se inicia.

Chama a atenção, especialmente, pelo fato de os Correios estarem em grave crise financeira. O apoio que concede às confederações de tênis e de desportos aquáticos sofreu uma queda de R$ 24 milhões.

O investimento no rúgbi também guarda algumas peculiaridades. A modalidade, ainda em processo de desenvolvimento agudo no país, se estruturou e manteve-se quase que em sua totalidade com patrocínios da iniciativa privada – ainda que tenha sido via lei de incentivo ao esporte, do governo federal.

Chama a atenção também pelo valor. Serão exatos R$ 1,960 milhão pelo período de dois anos. Ou seja, R$ 980 mil para cada 365 dias. O handebol, por exemplo, parceiro da estatal desde 2012, vai receber R$ 3,2 milhão no biênio que se inicia (R$ 1,6 por ano). A diferença é que o handebol é muito mais difundido no país e já deu um título mundial recente ao Brasil.

A entrada dos Correios no rol de patrocinadores do rúgbi marca o início das aplicações de um setor até então inédito para a modalidade.


Ela venceu grave doença cardíaca, agora tenta vaga nos Jogos de Inverno-18
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Daniel Brito

Bruna passou por delicada cirurgia no coração e retomou a prática esportiva

Quando o Brasil estiver fervendo nos dias que antecedem ao carnaval, a paulista Bruna Moura estará encarando a neve da cidade de Lahti, na Finlândia, em busca de uma vaga nos Jogos Olímpicos de Inverno no esqui cross country. É lá que será realizado o mundial da modalidade, nesta quarta-feira, 22, e quinta-feira, 23.

Para chegar na Escandinávia, ela teve que enfrentar um caminho mais longo e sinuoso que a maioria de suas rivais. E não é só pelo fato de ser brasileira e não ter neve para treinar. Há quatro anos, Bruna submeteu-se a uma delicada cirurgia no coração para corrigir um problema congênito chamado Comunicação Interatrial (Cia).

Quando descobriu a doença, ela era atleta do mountain bike. Chegou a integrar a seleção brasileira em algumas etapas de copa do mundo. Ela teve que parar com todas as atividades esportivas ao ser diagnosticada com Cia. Caiu em depressão, engordou até encontrar com a ex-técnica de ciclismo Jaqueline Mourão.

Jaqueline é uma das mais experientes atletas olímpicas do Brasil. Em Atenas-04 e Pequim-08, representou o Brasil no mountain bike. Em Torino-06, Vancouver-10 e Sochi-14, estava lá com a bandeira verde-amarela no esqui cross country e no biatlo, prova que combina resistência (esqui) e precisão (tiro esportivo) na neve.

Foi ela quem guiou Bruna no auge do trauma pela descoberta da doença. Jaqueline ajudou a conseguir, após muito esforço e sorte, uma cirurgia gratuita no Instituto Dante Pazzanese, do governo do Estado de São Paulo.

Quando não está fora do Brasil, Bruna treina com roller esqui, no interior de SP

Entre a descoberta da doença e a cirurgia, Bruna conheceu o roler esqui, modalidade utilizada pelos brasileiros adeptos do esporte na neve para treinar sem neve por essas bandas. Gostou, mas não podia dedicar-se integralmente por causa de sua saúde. Mas a CBDN (Confederação Brasileira de Desporto na Neve) guardou seus contatos.

E os utilizou meses após Bruna recuperar-se da cirurgia. Sem a enfermidade, Bruna pôde voltar a praticar esportes em alto rendimento. Quando preparava-se para voltar ao mountain bike, recebeu o telefone da CBDN convidando para retomar as atividades no roler esqui.

“Eu fiz uma última prova de mountain bike, para me despedir, e fui me dedicar ao roler esqui”, conta ao blog, Bruna. A primeira temporada completa de competições no exterior foi em 2015, sem resultados expressivos.

Já em 2017, disputou a Universíade de inverno (jogos mundiais universitários), em Almaty, no Cazaquistão. Competiu nos 15km Class Start Classic, em que todos os participantes largam ao mesmo tempo. Nas últimas três provas que disputou – 5km Individual Classic, 5km Pursuit Free e Sprint Classic – ela esteve muito próxima de alcançar o índice olímpico, que deve ser abaixo de 300 pontos da Federação Internacional de Esqui (FIS). Na 15km Mass Start Classic, Bruna alcançou a pontuação FIS 380.34.

Como ironia do destino, ela disputa uma vaga para chegar a PyeongChang-2018, sede dos Jogos Olímpicos de Inverno, com sua “anjo da guarda”, Jaqueline Mourão, que a ajudou quando mais precisava.

Bruna tenta vaga no esqui cross country nos Jogos de Inverno de PyeongChang-2018


Ex-BBB põe fim à carreira de paratleta para se dedicar a projetos na TV
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Daniel Brito

Imagem: Ramón Vasconcelos/Globo

O paulista Fernando Fernandes, 35, não é mais atleta da paracanoagem. Pelo menos, no alto rendimento. A temporada de 2016 foi sua última no mais alto nível do circuito internacional,, e agora ele se dedica a projetos para a TV.

Ele já informou à CBCa (Confederação Brasileira de Canoagem) e CPB (Comitê Paraolímpico Brasileiro) sobre sua decisão. Agora, ele trabalha com programas especiais para o canal a cabo OFF, especializado em esporte radicais e em contato com a natureza, além de quadros para o Esporte Espetacular, programa esportivo dominical da Globo. As informações foram passadas ao blog pelo agente de Fernandes. Atualmente, eles se encontram na Noruega gravando programas para seus novos projetos.

Fernandes ganhou notoriedade em 2002, quando participou da segunda edição do Big Brother Brasil, reality show da TV Globo, no qual foi o terceiro eliminado. Sete anos mais tarde, ele sofreu um acidente automobilístico que o deixou paraplégico. Durante a reabilitação, no Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília, conheceu a canoagem. Ele dedicou-se à modalidade desde então.

Sagrou-se tetracampeão mundial. Mas há quase três anos vinha reclamando dos critérios de classificação dos atletas, que fazia com que competisse com atletas sem lesão medular, e isso o colocava em desvantagem. Este foi um dos fatores alegados por ele para não participar dos Jogos Paraolímpicos do Rio-2016. Após terminar em 5º no Mundial de Duisburg, na Alemanha, em maio do ano passado, ele perdeu a vaga para o piauiense Luis Carlos Cardoso.

“Dois anos atrás, comecei a me deparar com uma realidade estranha na classificação funcional, que é colocar o devido atleta na devida categoria de acordo com sua lesão e com o que ele tem de funcional. De 2014 pra cá o esporte começou a perder a mão disso, as pessoas aprenderam a burlar esse sistema e essa regra pra se beneficiar”, queixou-se o ex-BBB. Sua ''luta'' contra os problemas na classificação foi retratada no documentário ''Paratodos'', do cineasta Marcelo Mesquita, no ano passado.

Apesar de largar o esporte de alto rendimento, o ex-BBB não deixou de lado a prática esportiva. Suas  páginas pessoais nas redes estão repletas de fotos e vídeos de Fernandes exercitando-se nos mais diversos lugares, inclusive promovendo a inclusão das pessoas com deficiência no esporte.

 


Atleta russa que “deve medalha” olímpica ao Brasil se recusa a entregar
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Daniel Brito

Time russo de revezamento comemora o ouro em Pequim-08, perdido anos mais tarde (Al Bello/Getty)

A corredora Yulia Gushchina, 33, amargou a experiência de ter suas três medalhas olímpicas perdidas por causa de doping. Mas não foi por causa dela, e sim, por conta de suas companheiras de equipe. Ela acumulou um ouro, uma prata e um bronze em Pequim-2008 e Londres-2012 em provas do revezamento do atletismo. Mas perdeu todas porque uma ou mais parceiras testou positivo no exame antidoping. Gushchina, no entanto, jamais foi flagrada.

Uma dessas medalhas interessa ao Brasil. A Rússia foi ouro no revezamento 4x100m rasos em Pequim-2008. Porém, uma das componentes do time russo falhou no reexame das amostras de urina e sangue feitas pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) entre 2015 e 2016. Assim, a Rússia perdeu o ouro, O Brasil – que terminara aquela prova na quarta colocação com Rosemar Coelho, Lucimar de Moura, Thaissa Presti e Rosangela Santos – herdou o bronze. As belgas ficaram com o ouro, e as nigerianas, com a prata.

Doping de companheiras de equipe tirou as medalhas de Gushchina (Getty)

Quando consultada pela imprensa russa sobre a perda das medalhas, Gushchina soltou o verbo. “Eu não sei das outras garotas, mas eu não devolvo a minha”, afirmou a corredora após ser informada da terceira perda consecutiva, desta feita em reexames de urinas coletadas em Londres-2012. “Já estou levando uma vida completamente diferente, estou esperando meu segundo filho, não vou aos tribunais por causa disso”, completou.

O regulamento do COI diz que, em caso positivo de doping, o atleta medalhista é obrigado a devolver a láurea. Veja, por exemplo, o caso de Usain Bolt. Ele perdeu o ouro no revezamento 4x100m de Pequim-2008 e já devolveu sua medalha, apesar de o doping ter sido confirmado em um companheiro de equipe e não nele.

Mas os russos que estão sendo flagrados por atacado em reexames do COI de Pequim-08 e Londres-12, estão demorando para devolver. O presidente do Comitê Olímpico Russo, Alexander Zhukov, disse às agências internacionais de notícias que nenhuma desportista flagrado em doping havia devolvido a medalha. Havia a suspeita de que esse fosse um pedido expresso de Vitaly Mutko, ministro do esporte, e home forte do governo Putin. O governo, no entanto, recusou-se a comentar o caso.

O Brasil já faz planos de receber as medalhas do quarteto que herdou o bronze em Pequim-2008. Agora em março deve haver um pódio temporão.

Brasileiras celebrarão a medalha de Pequim-08 nove anos mais tarde (Al Bello/Getty Images)


Salário da NBA, lesão incurável: os últimos dias de Fab Melo em atividade
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Daniel Brito

Apu Gomes/Folhapress

Apu Gomes/Folhapress

Fab Melo, encontrado morto no sábado, 11, em Juiz de Fora, Minas Gerais, tentou por quatro meses voltar a jogar no Brasília, atual líder do NBB. Chegou em agosto do ano passado, com um salário modesto para os padrões do time, mas pediu para sair quatro meses mais tarde, após jogar somente dois minutos em sua estreia, na sétima rodada do Nacional, sob a alegação de que voltaria para os EUA para tratar-se de uma lesão na panturrilha.

O Brasília o contratou porque estava barato no mercado nacional. Recebia mensalmente R$15 mil – o teto salarial no grupo chega a R$ 50 mil. Seus vencimentos eram baixos para seu inventário, no qual constavam a passagem bem sucedida na NCAA (liga universitária dos EUA), escolha na primeira rodada do Draft da NBA e passagem pelo Boston Celtics (ainda que como figurante). Um currículo daqueles que pode chamar público aos ginásios brasileiros e somar talento para qualquer elenco no NBB.

Treinou por não mais que 20 dias seguidos tão logo desembarcou no planalto central, mas teve de se apresentar ao departamento médico. O diagnóstico: lesão na panturrilha direita. E foi isso que o atormentou.

“Estava na quinta contusão só neste ano [de 2016], não consegui dar sequência aos jogos da temporada. Preciso me retirar para tratar a lesão, focar minhas energias no tratamento”, explicou o jogador mineiro, ao deixar o time em dezembro.

Em quatro meses, disputou sete jogos por Brasília. Seis valendo pela Liga Sul-Americana, na qual acumulou média de 12 minutos, e uma única apresentação no NBB. Dia 30 de novembro de 2016 foi sua última partida oficial. Foram dois minutos e quarenta e cinco segundos em quadra contra o Pinheiros: dois pontos, um erro e um rebote ofensivo. Não jogou mais porque não suportava o incômodo causado pela lesão.

Por causa dela, foi chamado por José Carlos Vidal, diretor do Brasília, para conversas em particular. “Houve uma omissão na lesão. Nosso fisioterapeuta, o Carlinhos, foi atrás do histórico dele e viu que havia essa contusão de 2012 ou 2014 que pode ter sido mal resolvida e reverberou por anos”, disse Vidal. “Quando pediu pra nos deixar, já estávamos em busca de um novo pivô, e o Fab Melo nos disse que iria voltar para os Estados Unidos para se recuperar lá”, completou.

Vidal relata que em todo o tempo que ficou em Brasília, Melo atrasou-se apenas uma , antes de um amistoso de pré-temporada, mas por motivos de problemas com avião. “Eu dizia para ele: ‘Conheço todos os lugares de Brasília. Se você atrasar, vou saber onde esteve'”, relembrou o dirigente, que acrescentou não ter registrado problemas de comportamento do jogador.

Após a rescisão, amigável e sem custos  para ambas as partes, segundo Vidal, o diretor do Brasília contou que recebeu a informação de que o pivô de Minas Gerais ainda recebia salários da NBA. Escolhido no Draft de 2012 ainda na primeira rodada, teve direito ao equivalente a R$ 10 milhões (na cotação de hoje) pelo contrato de três anos com o Boston Celtics.

Entenda o que aconteceu com Fab Melo

O jogador foi encontrado morto dentro de sua casa por sua mãe, que mora no andar de baixo. Ela acionou o SAMU (Serviço de atendimento Móvel de Urgência), que constatou o óbito e levou o corpo para o IML.

A autópsia realizada no local apontou morte natural por causa indeterminada, e a Polícia Civil de Juiz de Fora não vai abrir inquérito para apurar o caso.

O enterro de Fab Melo aconteceu no último domingo na cidade mineira.

 

 


Deputado quer sede da CBF no DF para evitar benefícios a clubes cariocas
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Daniel Brito

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Justificativa de Alberto Fraga (DEM-DF) para o projeto cita campeonato do ano 2000

Tramita em caráter conclusivo na Câmara dos Deputados um projeto de lei no mínimo controverso. Proposta do deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF) transfere para o Distrito Federal a sede de todas as confederações desportivas do país. A alegação do parlamentar é polêmica.

“É mais do que evidente, por exemplo, no caso do futebol, que os clubes do Rio de Janeiro vêm sendo beneficiados com decisões que afrontam a dignidade e a moralidade desportiva”, disse o deputado, referindo-se à CBF, que tem sede no Rio. “Veremos a evolução do esporte brasileiro e evitaremos corrupção e escândalos que impedem a prática sadia do desporto”, defendeu Fraga.

O parlamentar tem pouca ligação com o esporte. Ele foi o mais votado pela população do Distrito Federal nas eleições de 2014, com 155 mil votos. É um dos líderes da chamada bancada da bala, grupo informal de deputados que atua na Câmara em temas relacionados à segurança pública.

Neste projeto de lei apresentado na Câmara, o deputado parece estar um pouco desatualizado. Justifica que no ano de 2000 (sim, dezessete anos atrás) houve casos de favorecimento a clubes do Rio. Na época, a entidade ainda era presidida por Ricardo Teixeira. É importante lembrar que em 2000 o campeonato brasileiro foi disputado em meio a polêmicas e com o nome de “Copa João Havelange”, por causa de problemas envolvendo o Gama, time do Distrito Federal, o Botafogo e o São Paulo.

Transferindo as sedes para Brasília, acabariam (ou diminuíram) o regionalismo nas questões administrativas – esquecendo-se o deputado que Brasília também tem time de futebol.

A CBF preferiu não se manifestar sobre o tema.

O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Esporte; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.


Japão promete carro voador para acender a pira em Tóquio-2020
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Daniel Brito

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Engenheiros japoneses fazem teste em veículo voador de menor porte

Os japoneses correm contra o tempo para fazer um carro voar com a chama olímpica e acender a pira dos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020. O plano é este e um grupo de jovens engenheiros estão trabalhando no estilo oriental para fazer um carro levantar voo na abertura dos próximos Jogos, no Japão.

O projeto não é exatamente de um carro como o que vemos nas ruas. O automóvel voador medirá 2,9 metros de comprimento e 1,3 metros de largura. Ele será um triciclo elétrico de um único assento, com duas hélices.

O Asahi Shimbun, um dos maiores jornais do Japão, publicou que é um protótipo de um modelo que possa ser utilizado no futuro (para além de Tóquio-2020) para evitar congestionamentos nas ruas e ajudar em resgates em caso de desastres naturais, quando as vias terrestres estiverem inviáveis.

Os engenheiros disseram ao Asahi que o veículo pode decolar e pousar verticalmente. Será operado com o volante e o pedal do acelerador no ar ou na estrada. O grupo de engenheiros trabalha para que o protótipo possa finalmente voar 50 quilômetros a uma altitude de 150 metros. É um desafio muito grande, dado que o estágio atual dos trabalhos fazem com que o carro chegue somente a voar por um metro e por apenas cinco segundos.

Eles têm até 24 de julho de 2020 para fazer a mais incrível acendimento de uma pira olímpica se concretizar.

RIO DE JANEIRO, BRAZIL - AUGUST 05: Former Brazilian athlete Vanderlei de Lima lights the Olympic Flame during the Opening Ceremony of the Rio 2016 Olympic Games at Maracana Stadium on August 5, 2016 in Rio de Janeiro, Brazil.  (Photo by Morry Gash/Pool/Getty Images)

Na Rio-16, a pira foi acesa por Vanderlei Cordeiro após subir uma escadaria imensa (Morry Gash/Getty)